
Quem diria: Emmanuel Macron, o líder internacional favorito de Lula, com quem costuma andar de braços dados em fóruns globais, como em Belém, virou, junto com Giorgia Meloni, o principal algoz a entravar a consolidação do acordo Mercosul-União Europeia.
Nesta quarta-feira (17), o presidente francês praticamente colocou a pá de cal nos planos de Lula de assinar o tratado durante a cúpula do bloco sul-americano, no sábado (20). Macron disse que seu país não apoiará o acordo comercial sem outras salvaguardas para seus agricultores. As contas não fecham, afirmou.
O noivado melou. Não chegou a casamento. Mas por quê? Ora, parafraseando a máxima de James Carville transformada em clichê: "É a economia, estúpido!".
Agricultores e pecuaristas europeus temem perder espaço com o livre comércio dos alimentos do Mercosul, principalmente dos brasileiros. Isso porque a mercadoria do Brasil passaria a ser mais competitiva devido à alta produtividade do país e por ter um menor custo de produção na comparação com o europeu.
Também não é de hoje que os franceses travestem o protecionismo como defesa ambiental. Dizem que a produção de alimentos no Mercosul não segue os mesmos padrões ambientais, sociais e sanitários exigidos na Europa. E que o acordo comercial aceleraria o desmatamento na Amazônia e abriria caminho para a entrada de agrotóxicos atualmente proibidos no bloco europeu.
Macron deixa o governo em 2027. Mas a questão não é tanto eleger o sucessor - ele não pode se candidatar à reeleição. A questão é de sobrevivência do mandato, se sustentar até lá. Sete primeiros-ministros de seu governo caíram em sete anos — o último Sébastien Lecornu em julho de 2025. Todos por questões econômicas. O Palácio do Eliseu não vai arriscar o mandato para agradar Lula.




