
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Referência nacional no atendimento da população de rua e nas pautas sociais, o padre Júlio Lancellotti está em Porto Alegre nesta sexta-feira (12) no mutirão PopRuaJud, iniciativa criada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e viabilizada pelo Judiciário gaúcho, que realizou o atendimento de pessoas em situação de rua.
Qual a importância de um evento como este em Porto Alegre?
Mostrar que é possível ter uma ação articulada, que é possível atender às pessoas em todas as dimensões e não ter um atendimento burocratizado, mas um atendimento mais próximo e humanizado.
Em Porto Alegre se debateu um projeto que quer regulamentar a ajuda à população em situação de rua. Como o senhor vê a politização da pauta social?
A questão da população em situação de rua não pode ser instrumentalizada por ideologias políticas. Porém, é uma questão política, porque envolve o orçamento e ações do poder público. Mas não pode ser ideologizada. Como dizia Maria Carolina de Jesus: "O problema da fome são aqueles que comem". Então, os que comem querem regulamentar a comida dos outros: "Você vai ter fome só na hora que eu quiser. E você só vai comer quando eu quiser, na hora que eu quiser e do jeito que eu quiser". Quem quer regulamentar a alimentação dos moradores de rua, primeiro regulamente a sua, e depois peça que os moradores de rua regulamentem a sua também.
Ano que vem há eleições. Quais as principais pautas sociais que os políticos têm de ter em atenção?
É preciso que o amor ao próximo esteja presente e que nós devamos agir. Quem está no poder público não está para ser servido, mas para servir.
O senhor sofre muitos ataques pela internet. De onde ainda acha força para continuar trabalhando?
Porque os ataques não são o que me dirigem; o que deve dirigir a vida da gente é o serviço aos mais pobres. Se Jesus se importasse com as críticas, ele não teria multiplicado os pães.



