
O ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, citou a tragédia provocada pela enchente no Rio Grande do Sul, em 2024, para alertar sobre a necessidade de investimentos em prevenção. O tema foi trazido pelo próprio ministro em uma rápida entrevista na tarde desta quinta-feira (6), na Cúpula dos Líderes, evento que antecede a COP30, em Belém (PA).
Jader reforçou a importância de recursos financeiros, uma vez que, segundo ele, "não dá para depender só da vontade". O ministro cobrou das grandes economias, responsáveis pelo maior percentual de emissões de gases do efeito estufa, que provocam o aquecimento do planeta. O tema do financiamento climático é um dos mais tensos da COP30.
— Não são os países em desenvolvimento que poluem o planeta. Quem polui o planeta são os países do primeiro mundo. São eles que têm que dar a maior parcela, dar contribuição para que nós possamos cuidar do nosso planeta. E eu insisto, se nós não tivermos recursos e uma vontade séria por parte dessas pessoas, o que aconteceu no Rio Grande do Sul vai se repetir cada vez mais. E não só no Brasil, vai ser no nosso planeta.
O ministro recordou suas visitas ao Estado, no auge da tragédia do ano passado.
— Fui visitar uma das cidades que as pessoas que tinham morrido ali, tinham falecido ali, a partir daqueles eventos climáticos que aconteceram lá. Não puderam ser veladas na cidade, porque não tinham lugar para velar — contou.
O desastre climático no RS afetou mais de 90% dos municípios, segundo o IBGE. Questionado sobre investimentos em prevenção no Estado, Jader disse que o governo federal tem cumprido as promessas.
— No Fundo de Reconstrução do Rio Grande do Sul, estão alocados R$ 6,5 bilhões para obras de prevenção, para cuidar dos diques da Região Metropolitana, para fazer obras de macrodrenagem, de contenção de encosta. Na outra mão, para as famílias que perderam as suas casas, já chegamos a 7 mil unidades habitacionais — defendeu.
Ele comparou o orçamento reservado à prevenção no início de sua gestão para todo o país e o que foi alocado no RS para a reconstrução.
— Quando chegamos no Ministério das Cidades, havia somente R$ 6,5 bilhões para prevenção no país. Só para o Rio Grande do Sul, só para a tragédia que aconteceu lá, foram R$ 6,5 bilhões.
Segundo ele, obras de prevenção devem estar previstas anualmente nos orçamentos federal, estaduais e municipais. Questionado pela coluna se o fato de a COP30 ser realizada na Amazônia não se dará menor atenção a outros biomas brasileiros, como a Mata Atlântica e o Pampa, Jader afirmou:
— Não é a Amazônia nem o Pampa. Precisamos discutir o nosso planeta. Se não fizermos isso, teremos aqui em Belém perdido uma grande oportunidade.
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Ele acrescentou a importância de se inserir as ameaças urbanas nos debates das COPs.
— Até 2050, 70% das pessoas no mundo viverão em cidades. Mais de 80% das emissões partem das cidades. Então nós precisamos botar o tema urbano no centro dessas discussões. Fazer com que a nossa frota seja uma frota descarbonizada. Não temos como jogar esgoto in natura nos nossos rios. Nossas construções têm que ser construções mais limpas.











































































