
Após assinar um protocolo de intenções com a Marinha e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) voltado para cooperação em prevenção, monitoramento e resposta a desastres naturais o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, citou o que chamou de "a maior tragédia ambiental da história recente", a enchente no Rio Grande do Sul para ilustrar a necessidade de estruturas mais resilientes diante dos eventos extremos.
O protocolo prevê a integração entre os três órgãos para fortalecer ações de prevenção e enfrentamento a desastres climáticos; ampliar a capacidade de monitoramento e emissão de alertas; apoiar respostas rápidas em situações de emergência; e desenvolver pesquisas e tecnologias para resiliência climática.
- Mais de 400 municípios embaixo d'água. Aquilo destruiu empresas, equipamentos, estoques. E você, na urgência e na emergência, você vai salvar a vida, mas depois você tem de reconstruir a economia do local - disse. - Você imagina se aquelas empresas colapsam, você não paga salário, você não paga imposto, você não paga dívida, você fica com passivo judicial, trabalhista, é uma catástrofe.
Mercadante atribuiu a recuperação da economia do Estado ao apoio dado às empresas em dificuldade devido ao desastre.
- O PIB do Rio Grande do Sul cresceu 4,9% no ano passado, enquanto o Brasil cresceu 3,4%. Ou seja, foi acima da média nacional. Por quê? Porque o BNDES sustentou todas as empresas que estavam em dificuldade na mancha d'água. Nós financiamos com crédito subsidiado, suspendemos o pagamento de juros para todas as empresas do Rio Grande do Sul - explicou.
O presidente usou exemplo do RS para ilustrar como experiências trágicas como a vivida no Estado exigem uma reflexão mais profunda, porque os desastres naturais estão sendo e serão cada vez mais frequentes em tempos.
- Qual é a atitude que você tem que ter diante de uma situação de desastre? O que você salva primeiro? A vida. Depois, restitui a comunicação, a logística. Então, você tem toda uma sequência e nós estamos contratados pelo Rio Grande do Sul hoje para estudar como reconstruir com resiliência. Como reconstruir para que você não viva situações iguais.
Ele destacou que o BNDES está se especializando em temas de proteção e monitoramento diante de riscos climáticos porque essa é uma demanda que está chegando cada vez mais por parte dos clientes do banco. Ele tem defendido uma forma de financiamento global para desastres, uma espécie de FMI para tragédias.
- Seria um mecanismo fantástico. Uma coisa que eu levei, inclusive para a reunião dos bancos de desenvolvimento, é a seguinte: se a tragédia do RS tivesse impactado um país pequeno, o Uruguai ou o Paraguai, como iria se levantar?
A iniciativa com Marinha e Cemaden assinada nesta sexta-feira (7) segue diretrizes internacionais, como o Marco de Sendai e a Agenda 2030. A Marinha irá atuar na iniciativa com o emprego de navios, aeronaves e tropas de fuzileiros navais para apoio logístico e resposta rápida em emergências. O BNDES será responsável pelo financiamento e incentivo a ações de prevenção, reconstrução e adaptação climática, e o Cemaden fará o monitoramento, análise técnica e emissão de alertas sobre eventos climáticos extremos.


