
Um ano de preparação, sete dias de negociações e um rascunho bem mais robusto do que os céticos da COP30 poderiam esperar. Reitero: é rascunho. Tudo pode mudar a qualquer momento nesses três dias que faltam para o encerramento da conferência do clima. As negociações têm avançado pela madrugada: os debates seguiam até 18h, depois 21h, e, nesta semana decisiva, passam da meia-noite.
Se a COP30 terminasse hoje, poderíamos dizer que o documento é o mais forte desde o Acordo de Paris, criado há 10 anos. No rascunho foi incluído o mapa do caminho para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, proposta idealizada pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e impulsionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na linguagem diplomática, é mais do que "transição para longe", que consta no texto final da COP28, de Dubai.
O documento também traz recados implícitos ao boicote imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como trechos em defesa do multilateralismo e criticando a falta de cumprimento de acordos.
As estratégias também mudam a todo momento. Até a noite de segunda-feira (17), a proposta do presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, para evitar o adiamento do documento final — e ingresso das negociações no sábado e no domingo - era fragmentar o debate em dois pacotes de decisão: um com os temais polêmicos, a ser acertado até esta quarta-feira (18). E outro, com itens mais técnicos — e menos controversos — até sexta. Virou um pacote só, a chamada "decisão de mutirão". Há uma pressão máxima por entregas até o fim da semana. Está muito claro que o debate da COP ultrapassou, simbolicamente, o discurso sobre clima. O Brasil quer mostrar, de forma veemente, que o multilateralismo está vivo.


