
Há duas questões muito claras sobre a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao assinar uma ordem executiva para reduzir as tarifas sobre importações agrícolas, como carne bovina, banana, café, açaí e tomate. A primeira é que, do ponto de vista político, nem sempre atirar primeiro e perguntar depois funciona.
O resultado é: Trump está sendo obrigado, por pressões internas, a recuar do seu estilo "machão". Como, aliás, já fez em outras tréguas comerciais, como com a China. Algo parecido já foi feito em relação ao México e ao Canadá.
O segundo ponto obedece a uma teoria simples das Relações Internacionais: a política externa é sempre produto de tensionamentos internos. Não basta ao Executivo querer. No caso das tarifas, a Casa Branca foi obrigada a ceder à pressão da opinião pública americana, em outras palavras, ao custo de vida cidadãos.
O recuo do presidente americano tem um efeito colateral importante: em suas decisões futuras, o mundo olhará com desconfiança. Algo, aliás, que já vinha ocorrendo.
Trump blefa e, em geral, não leva. E isso, na mesa, tira a credibilidade de qualquer jogador.





