
A prefeitura de Porto Alegre concluiu os estudos e a modelagem da operação para recuperar o Arroio Dilúvio e revitalizar a Avenida Ipiranga, uma das obras mais desafiadoras que a cidade terá pela frente. O secretário do Meio Ambiente, Infraestrutura e Urbanismo, Germano Bremm, diz que tudo será detalhado na audiência pública prevista para 28 de janeiro na Capital.
Os estudos estimam um custo total de R$ 1,6 bilhão. A previsão de arrecadação, ao longo de 20 anos, por meio de uma Operação Urbana Consorciada (OUC), um instrumento urbanístico que viabiliza parcerias público-privadas, é de R$ 3 bilhões. Na COP30, em Belém, a prefeitura busca recursos do Fundo Clima, junto ao BNDES, para financiar a primeira fase da construção, a chamada Etapa Zero, com orçamento de R$ 202 milhões e duração estimada em cinco anos após a contratação dos projetos executivos e aprovação da Câmara de Vereadores.
A prefeitura prevê a revitalização do Dilúvio em quatro áreas, a começar pela foz do Guaíba até a Avenida João Pessoa, que receberá R$ 92,2 milhões, com foco em rede verde e azul, macrodrenagem e saneamento, rede de mobilidade, urbanização de assentamentos e aterramento de fiação aérea. As outras áreas são da João Pessoa até Barão do Amazonas, depois até a Cristiano Fisher e, na sequência, até a Antônio de Carvalho.
Nesta sexta-feira (14), a coluna convidou o prefeito Sebastião Melo e Bremm para visitar o Parque Linear da Doca, um antigo canal em Belém, que recebeu investimento do governo do Pará de R$ 310 milhões para revitalização. O local se tornou um dos principais espaços de lazer e convivência durante a COP30, integrando áreas verdes, equipamentos públicos e soluções ambientais ao cotidiano da cidade. O parque recebeu obras de drenagem e despoluição do canal, paisagismo com plantio de cerca de 200 árvores de grande porte, construção de passarelas e mirantes, quiosques de alimentação, academia ao ar livre, ciclovia e pavimentação de 2,4 quilômetros de avenida.

No caso do Dilúvio, a situação é bem mais complexa. São 10 quilômetros de extensão. Durante a visita, Bremm estimou que as obras da primeira fase da revitalização da Ipiranga poderiam começar em 2028.
— Vamos desenvolver os anteprojetos ainda em 2026, para, em 2027, já com financiamento do Fundo Clima, contratarmos projeto e execução. Para, em 2028, termos obra no trecho mais próximo à orla do Guaíba — afirmou.

Melo, que prometeu a revitalização do Dilúvio ainda no primeiro mandato, gostou do que viu.
— É uma boa experiência urbana — disse — Há dois anos, abrimos uma licitação, várias empresas se habilitaram, escolhemos uma, e ela, agora, apresenta a modelagem. É preciso audiência pública, depois teremos uma lei para mandar para a Câmara. Tomamos a decisão de que vamos, nessa primeira fase, buscar dinheiro do BNDES, do Fundo Clima. Depois essa obra continua. É um sonho de muitos e muitos anos, e eu quero transformar esse sonho em realidade — disse.



