
Ao sair da área restrita às delegações, nesta sexta-feira (7) na Cúpula dos Líderes, evento pré-COP30, o ministro Wellington Dias, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, conversou com a coluna sobre esses primeiros dias de eventos em Belém:
O senhor está otimista em relação à COP30, teremos uma conferência resolutiva?
É um momento de decisões dramáticas para a humanidade. Temos de fazer uma escolha. O Rio Grande do Sul, por tudo que viveu, claramente, sofre os efeitos das mudanças do clima. À medida que esquenta o planeta, temos gelo nas cordilheiras antes do tempo. Temos todos os fatores, falamos de El Niño, La Niña, enfim, que coloca uma alteração em relação ao passado. E isso leva a situações que têm um custo de vidas humanas, têm um custo econômico e social. Não é só no sul do Brasil, ela acontece na Amazônia. Lembro os incêndios no Centro-Oeste, enchentes, secas no Nordeste. Mas não é só no Brasil, é no mundo. A decisão, a declaração de Belém, precisa não só avançar nos termos, mas também nas condições de efetividade. Na prática, de modo simples: de onde vem o dinheiro para fazer todo o plano acontecer. É sobre isso. No Rio Grande do Sul, há o problema do excesso de chuva e da estiagem. Eu acompanho como ministro, já foram três ciclos de seca, com oito ciclos de enchentes, ciclones. Repito: há prejuízos não apenas sociais e econômicos, mas às vidas. Temos de tomar aqui uma decisão intergeracional. A geração que está viva tem de cuidar do planeta Terra, da casa-mãe ou então, como se diz lá no meu Nordeste, vai se chegar a uma elevação de temperatura tão grande que vai morrer muita gente sapecada.
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A partir das reuniões até agora dá para esperar mais investimentos no Fundo das Florestas Tropicais?
Há o entendimento de Brasil, Noruega, Portugal, Holanda, vários países, já são 53 que não só assinam a declaração de Belém, mas se comprometem em participar. É claro que há países que são potências econômicas que também precisam se somar. Já sabemos o que deu certo e o que não deu certo. Cito, aqui mesmo no Estado do Pará, de recuperar áreas que foram devastadas por incêndio ou por ação às vezes criminosa, humana, e, ali, se trabalha em uma floresta em Santarém. A plantação de castanheira, açaí, cupuaçu, cacau, café, guaraná, resulta em uma floresta que, economicamente, dá resultado e ninguém vai querer derrubar essa floresta. São experiências com produção de alimentos, base para cosméticos, farmacêuticos. Há um conjunto de possibilidades. E ela cabe em todos os ecossistemas.
Cabe no Pampa?
Cabe no Pampa, na Amazônia, no Cerrado, na Caatinga, na Mata Atlântica. A ideia do Brasil é que a gente possa olhar para todos os nossos ecossistemas.











































































