
A coluna está aqui em Belém (PA) há 10 dias, desde 4 de novembro. Acompanhamos a Cúpula dos Líderes, que antecedeu a conferência propriamente dita, e a primeira semana de negociações na COP30. Fazemos, aqui, um balanço do que funcionou e o que não deu certo até agora.
FUNCIONOU
O presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, é, sem dúvida, o melhor nome para o cargo que o Brasil poderia apresentar. Gentil, conhecedor do tema e, sobretudo, um negociador nato. Conseguiu costurar uma agenda para a COP antes do início da conferência, a fim de evitar bloqueios nos primeiros dias. Deu show de diplomacia e empatia quando indígenas bloquearam a entrada da Blue Zone, na sexta-feira (14).

NÃO FUNCIONOU
A estrutura da COP30 apresenta problemas diários: ainda há áreas com goteiras em dias de chuva. Alguns banheiros também seguem com falta d'água. E o ar-condicionado não da conta do calor, especialmente na entrada, na área dos pavilhões dos países.

FUNCIONOU
Diferentemente das COPs de Dubai e Baku, a área da conferência é mais compacta, facilitando não apenas o acesso a salas e pavilhões de países, mas também o caminho entre a Blue Zone e a Green Zone — aliás, não precisar passar por raio-x na Zona Verde, se você já fez isso ao ingressar na Zona Azul, economiza muito tempo.
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NÃO FUNCIONOU
Os ônibus circulares, que deveriam transportar, gratuitamente, os participantes até a sede da COP, a partir de diferentes pontos de Belém, não são suficientes e demoram muito. São em número insuficiente. E faltou faixas exclusivas para o trânsito desses veículos, que disputam espaço com o tráfego já normalmente caótico da cidade. Em compensação, os motoristas de aplicativos costumam atender rapidamento.
FUNCIONOU
A Estação das Docas e o Porto Futuro são os melhores lugares de Belém. São tudo o que Porto Alegre desejaria ter em seu antigo cais: ambiente limpo, seguro, com boa comida e bebida — além do ar-condicionado, que é ajuda no calorão de Belém. A música ambiente é MPB da melhor qualidade. E a vista é para o Rio Guamá, que lembra o Guaíba.

NÃO FUNCIONOU
Os preços dentro da COP são excessivos. Um café, R$ 20. Um prato executivo, R$ 170. A COP é, talvez, o único lugar onde cerveja artesanal (R$ 18) é mais barata do que água (R$ 25).
FUNCIONOU
A simpatia e cordialidade dos moradores é sensacional, compensa qualquer perrengue. Em geral, atendentes, voluntários, comerciantes e, mesmo, pedestres aleatórios nas ruas, são gentis e, do nada, dão "bom dia" e "boas vindas" ao visitante.
NÃO FUNCIONOU
Há um sério problema de ratos em Belém. Em toda a cidade, é difícil não encontrar um animal cruzando a sua frente. Há também muitos desses roedores mortos pelas calçadas. Nos arredores da COP30, no caminho para a AgriZone, há esgoto a céu aberto. O cheiro é insuportável. Também não há acessibilidade. Entre a rua e o cordão da calçada, há calhas para o escoamento da chuva, que tornam impossível o trânsito de cadeira de rodas.
FUNCIONOU
A Green Zone é a expressão do Brasil e de seu povo — nunca, em uma COP, os povos originários estiveram tão presentes. É o espaço mais democrático, plural e diverso da conferência.
NÃO FUNCIONOU
Na ânsia de tentar demonstrar segurança, há excesso de militares armados nos arredores e dentro da COP30 — aliás, mesmo com essa presença, faltou inteligência para evitar a tentativa de invasão da Blue Zone, na terça-feira (11).













































































