
Mais afastada do centro de Belém do que roteiros mais conhecidos e consolidados pelo turismo de base comunitária, como a Ilha do Cumbu, a apenas 10 minutos do centro da capital paraense, Cotijuba permite uma experiência imersiva na Amazônia. Para o bem e para o mal: a ilha, que já mostrei na coluna a partir do açaí, não desenvolveu o turismo, como Cumbu, o que gera renda para os ribeirinhos (o que é, em parte ruim), mas exibe uma cultura in natura (que permite conhecer as idiossincrasias da floresta). A Ilha de Cotijubá apresenta seu turismo de base comunitária de maneira criativa e sustentável, com as histórias e vivências dos moradores mais antigos.
Esse equilíbrio é, provavelmente, o grande desafio da ilha, afastada em 45 minutos a uma hora de barco do centro de Belém. Na comunidade de Pedra Branca, há um movimento coletivo que busca mostrar recursos naturais, como raízes, frutas, plantas, pedras, folhas, usados como matéria-prima no desenvolvimento de produtos feitos pelos artesãos. A criação de abelhas possibilita também o uso do mel para várias finalidades, inclusive na culinária local.
Mãe Márcia de Xangô (Iya Eja Emi, que significa "mãe Peixe do Segredo"), sacerdotisa do Templo de Umbanda Caboclo Rompe Mato, localizado na comunidade da Pedra Branca, atua em projetos culturais e socioambientais. O Espaço Mirante da Pedra Branca, na estrada do Poção, é uma vitrine do que a Amazônia tem a mostrar para o mundo, a arte advinda da natureza.
— Nosso trabalho com o turismo de base comunitária é fortalecer os interesses das pessoas que fazem imersão na comunidade e, com isso, conhecer nossas bioeconomias. São saberes ancestrais, que precisam ser reconhecidos e valorizados — afirmou à coluna.

Ela acredita que a COP, primeira vez, atrairá os olhos do mundo para a Amazônia.
— Estamos tendo a oportunidade de mostrar nossa bioeconomia, saberes, a beleza que tem na nossa Amazônia, e fazer com que eles valorizem o nosso trabalho, porque nós fazemos essa preservação. Vim, fazer imersão, levar isso para o mundo é oportunidade que a gente tem que eles se conectem com a gente e nos ajudem a fazer esse trabalho de preservação — diz.
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Ela exibe, em uma mesa, na entrada de seu quintal, uma série de produtos produzidos a partir da natureza.
— Urucu, tintura que pode ser usada medicinal, culinária, molho de pimenta, plantada nos nossos quintais produtivos. Hidromel, que também é feito aqui. quadro pintado com argila da comunidade — conta.
O Cine Janday projeto promove exibições de filmes, atividades culturais e encontros comunitários para celebrar a cultura afro-indígena, com objetivo de fortalecem as raízes e a identidade amazônica. Além das exibições, a programação conta com contação de histórias e cantigas.
Márcia explica que a argila encontrada na ilha beneficia mais o uso da tintura e não cerâmica, como seria o esperado. Além da argila, ela mostra também o breu, planta típica espalhada pelas matas da Comunidade Pedra Branca, tem um aroma marcante.
Antes de ir embora, ela nos entrega a raiz de priprioca e o produto feito a partir dela.
— Quando a gente colhe, manda pra empresa e ela beneficia a matéria-prima retirando o óleo e depois transformando em creme hidratante, sabonete e perfume
A priprioca não é usada apenas para cosméticos, ela também é usada na gastronomia, utilizada por grandes chefs internacionais.
O mirante de mãe Marcia está situado acima de um enorme barranco de ‘barro branco’, reflete o efeito das mudanças climáticas. O guia local, Luís Flávio Mendes Cunha, 34 anos, conta que a Praia de Pedra Branca, sofre processo de erosão natural do barranco, fazendo com que árvores e parte do terreno caia sobre a praia.
— Tinha uma rua que ficava naquela direção, que foi desviada por causa do avanço da maré. se tem uma perda vegetal muito grande. não segura a terra e acontece de despencar o barranco — diz Luís Flavio.














































































