
O incêndio que atingiu a área de decisões da conferência do clima, em Belém, jogou a COP30 em um cenário de grandes indefinições.
O fogo teve início próximo ao pavilhão da East African Community, em uma das extremidades da área reservada às nações. A origem, segundo as primeiras avaliações, teria sido um curto-circuito.
O fogo foi controlado em seis minutos, segundo o governo, mas o choque e a desolação entre os participantes duraram bem mais. A energia elétrica foi cortada, e as labaredas provocaram um rombo na lona que cobre o pavilhão. O serviço médico da COP30 atendeu 13 pessoas por inalação de fumaça. Na correria para abandonar o local, muitas pessoas deixaram no interior da Blue Zone itens pessoais como passaportes, muletas e computadores.
As cenas correram o mundo imediatamente, prejudicando a imagem do evento, menos de uma semana depois de a ONU ter alertado o Brasil sobre riscos à exposição elétrica nos pavilhões, no documento em que reclamara da falta de segurança, após a tentativa de invasão de manifestantes indígenas.
Às 15h28min, a ONU anunciou a devolução da Blue Zone às autoridades brasileiras. Na prática, a área deixou de ser uma zona internacional, para que bombeiros fizessem o rescaldo, e a perícia buscasse as causas do incêndio.
O fogo não atrapalha a negociação política em si, mas não ajuda. O diálogo foi paralisado e só deve se retomado nesta sexta-feira.
O incêndio ocorreu no meio de um dia em que o mundo esperava um novo rascunho de documento final. As delegações já estavam frustradas com a demora e os impasses, em especial sobre a inclusão do mapa do caminho para o fim gradual do uso de combustíveis fósseis. A chamada "decisão de mutirão" não vinga, e o os ministros de Meio Ambiente indo e voltando de salas em busca de flexibilidade e possíveis pontos de convergência ganhou até um apelido entre ambientalistas: "shuttle diplomacy" (a diplomacia do vaivém). A poucas horas do fim, ainda é difícil entender como a COP30 pode ser encerrada.


