
Ricardo Fritsch cruzou o país para representar a agricultura familiar gaúcha nos pavilhões da COP30.
Representante da Coopernatural (Cooperativa Natural), de Picada Café, ele trouxe para a GreenZone (zona verde da COP, aberta à sociedade civil) seu produto mais conhecido, a cerveja orgânica Stein Haus. Enquanto a coluna estava no local, Ricardo atendia, com a gentileza peculiar do povo do interior do RS, uma senhora americana.
Na sua barraca, oferece também sucos de uva rosé e branca e amendoim torrado, entre outros 170 produtos orgânicos certificados.
Foram seis meses para estar na COP30. Ele destaca desafios financeiros - só para o aluguel do espaço R$ 12,5 mil -, e de distância, incluindo custos de hospedagem, alimentação e deslocamentos diários. Além disso, Ricardo sublinha a logística de transporte e conservação dos produtos, reforçando a complexidade de participar de um evento de grande porte com itens sensíveis como o chope.
- Estar aqui tem muito a ver com o que acreditamos, com o nosso meio de atuação, com nossos agricultores. É importante a gente escutar as dicussões aqui e as opiniões das pessoas. É importante termos uma dimensão daquilo que ocorre na COP30 - afirma.
Ele conta que domina toda a cadeia da produção da cerveja orgânica:
- Produzimos cevada, trigo, centeio e aveia, ingredientes importantes, fora a água. E também temos vários lúpulos orgânicos. O produto não tem agrotóxicos, e a produção de grãos não usa nenhum tipo de adubo químico - explica.
Ele relata a alta presença de visitantes estrangeiros (os “gringos”, como diz), que pedem principalmente a IPA (India Pale Ale). Ricardo pondera múltiplas variáveis, que vão além do eventual lucro: representação dos cooperados, visibilidade, aprendizado das discussões ambientais e prática de atendimento internacional.
- Estar aqui é valioso e coerente com a missão da cooperativa orgânica, mesmo com o esforço financeiro - explica.




