
Em sua primeira participação na COP30, o prefeito Sebastião Melo trouxe de volta polêmica sobre o excesso de fios soltos em postes de Porto Alegre, estendendo o problema às demais capitais brasileiras.
No debate intitulado "Cidades sustentáveis: o planejamento urbano e as redes elétricas como infraestrutura crítica frente aos eventos climáticos extremos", organizado pela consultoria Ernst & Young (EY), em Belém, Melo afirmou:
- O Brasil precisa enterrar fios. Não dá mais, é insustentável. Esse tema é fundamental.
O prefeito acumula a função de vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP). A declaração ganhou apoio do diretor de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CPFL.
- Não tenho dúvida - disse Rodolfo Nardes Sirol.
- É preciso envolver as telefônicas, é uma vergonha nacional essa quantidade de fios. Vergonha nacional - acrescentou o prefeito.
Outro tema polêmico em Porto Alegre a cada temporal, a questão da poda de árvores, também apareceu. Melo contabilizou a uma plateia composta por representantes de diferentes setores o fato de a cidade ter 700 praças, 12 parques, 1,3 milhão de árvores.
- Antes do temporal, eu era "arvoricida", depois, eu era irresponsável por não ter feito as podas. As companhias elétricas precisam preparar os seus times para fazer podas melhores. É do negócio das companhias, onde passa as redes elétricas é responsabilidade delas. O resto é conosco (prefeituras) - afirmou.
Além de Melo e Sirol, participaram o painel a diretora de Comunicação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Cristina Garambone, e a diretora do Instituto Motiva, Renata Moraes.
O prefeito defendeu o que chamou de "federalismo climático".
- As pessoas não moram na União ou nos Estados. Elas moram nos municípios. Então, tem de ter planejamento, financiamento. Como vai fazer mitigação sem dinheiro? Tu vais transformar frotas de ônibus poluente com o dinheiro do IPTU, do ITBI? Não.



