
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O The New York Times, um dos jornais mais influentes do mundo, publicou uma análise do ex-correspondente do veículo no país intitulada "O Brasil desafiou Trump e venceu".
A reportagem desta segunda-feira (24) é assinada por Jack Nicas, que atualmente chefia a sucursal do NYT na Cidade do México. Ele analisa os recentes desdobramentos envolvendo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e Jair Bolsonaro — que teve sua prisão preventiva decretada no sábado (22) após tentar violar a tornozeleira eletrônica.
Logo no início, o texto recupera a resposta que Trump deu a jornalistas ao ser informado sobre a prisão no sábado:
— Que pena — disse, sem fazer qualquer outro comentário.
A análise recorda que, em julho, Trump enviou uma carta — descrita pelo texto como "furiosa" — a Lula, exigindo que autoridades retirassem as acusações contra Bolsonaro. Paralelamente, o presidente americano impôs tarifas de 50% sobre importações brasileiras (parte das quais já foram retiradas) e aplicou sanções a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o correspondente, a tentativa de Trump de intervir no Brasil "foi uma manobra extraordinária para influenciar o caso jurídico mais importante de um aliado em décadas, usando algumas das ferramentas mais poderosas à sua disposição. Mas as instituições brasileiras o ignoraram completamente. A aparente capitulação do Sr. Trump demonstra que seus esforços foram basicamente em vão".
A publicação também destaca que as tarifas americanas sobre produtos brasileiros tiveram um efeito contrário aos interesses dos EUA, pressionando os preços internos. "Lula — um líder da esquerda latino-americana — saiu do conflito com Washington ainda mais forte politicamente do que quando entrou", afirmou o jornal.
O texto ainda ressalta que, após a condenação de Bolsonaro, autoridades americanas chegaram a prometer retaliações, o que nunca se concretizou. Por fim, a análise menciona que a atuação do filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, teria inclusive influenciado o STF a aumentar a pena do pai.


