
Enquanto o mundo espera, nesta sexta-feira (21), o documento final da COP30, o cientista Carlos Nobre, um dos principais pesquisadores brasileiros sobre mudanças climáticas, conversou rapidamente com a coluna.
Ele integrou o grupo de acadêmicos que entregou ao presidente Lula nesta semana uma carta exigindo um plano de ação para o fim do desmatamento e do uso de combustíveis fósseis.
A coluna citou o Rio Grande do Sul como exemplo de um Estado que sofre com ondas de calor e excesso de chuva, fenômenos associados às mudanças climáticas. A pergunta foi: "falta vontade política ou dinheiro para a transição energética?"
- Vontade política - disse Nobre. - Lógico que recurso sempre é visto. A gente sempre fala da importância enorme de zerar os combustíveis fósseis. Mas, globalmente, o subsídio que se coloca para combustível fóssil é de US$ 3 trilhões a US$ 4 trilhões por ano. O Brasil também coloca um alto subsídio para combustível fóssil. No Brasil, 85% da eletricidade é de fonte renovável, hidrelétrica, solar, eólica. Então, se a gente for (atuar) rapidamente na transição energética e parar o subsídio, aí já virá um dado, um número muito importante - completou.
Citando as duas tragédias das chuvas na região do Vale do Taquari, no Estado, em 2023 e 2024, Nobre destacou a necessidade de se retirar populações de áreas de risco.
- Passa de 4 milhões de brasileiros que têm casa em áreas de risco de chuva excessiva. Deslizamento de encostas é o que mais leva à morte. Você viu no Rio Grande do Sul: mais de 20 mil casas na beira de rios foram destruídas. Essas pessoas têm de ser protegidas. Escrevi um artigo "Minha Casa Sustentável para Salvar Minha Vida", uma referência àquele projeto Minha Casa Minha Vida. Até criaram algumas centenas (de casas) lá, no Rio Grande do Sul, mas tem de ser milhões. Milhões de brasileiros têm de ser removidos dessas áreas de risco.
Nobre salientou ainda a necessidade de restauração florestal nas cidades:
- Na maior parte do Brasil, no Rio Grande do Sul, por exemplo, foram removidas praticamente todas as florestas nas margens dos rios. Isso faz aumentar demais a vazão. A água não é mais retida no solo. A erosão leva uma grande parte, e o rio fica menos profundo. Então, é muito importante também, como solução de sustentabilidade, a restauração florestal nas cidades, mas em todas as margens de rios.






