
Quem acompanha as conferências das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas conhece o ditado: a Blue Zone ("Zona Azul") é o cérebro da COP, a Green Zone ("Zona Verde") é o coração.
Isso é muito verdade no evento desses dias em Belém. A Blue Zone é restrita - e até excludente. Por ser a zona de decisão, onde circulam chefes de Estado e governo, ministros e negociadores, o acesso é feito por meio de credenciamento, e a segurança costuma ser rigorosa.
A Zona Verde é aberta ao público e gratuita. Cumpre - ou deveria cumprir - o papel de ponte entre os grandes debates globais sobre ambiente e a população, em geral, a maior vítima dos eventos extremos. É ali também que estão os pavilhões de empresas do setor de energia, de tecnologia, o agro sustentável e a inovação.
Na duas últimas COP, em Dubai (COP28) e Baku (COP29), a Green Zone tinha tudo isso - mas pendia mais para o segundo grupo. Faltava povo.
Na COP do Brasil, a Zona Verde é a mais democrática, plural e diversa da história: é emocionante ver grupos indígenas, com instrumentos musicais e cantos, com sua voz ecoando por corredores ao lado de empresários. Isso também deveria ocorrer na Blue Zone, é verdade. Mas o mundo levou 30 anos para assistir a isso. Em nenhuma outra COP o coração da conferência pulsa em alta rotação como na Zona Verde do Brasil.




