
O governador Eduardo Leite entregou nesta terça-feira (11) à Confederação Nacional da Agricultura (CNA) um estudo que projeta uma redução de até 92% nas emissões de gases de efeito estufa pelo agronegócio do Rio Grande do Sul até 2050, se forem implementadas uma série de ações indicadas no trabalho.
A projeção, resultado de um estudo de mais de um ano, envolvendo técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), a partir de dados de entidades como Farsul, Irga, Fetag e Embrapa, foi apresentado na chamada AgriZone, espaço criado pelo setor em Belém, próximo ao Parque da Cidade, sede da COP30.
Foram analisadas as cadeias produtivas do arroz, da silvicultura, da soja e da pecuária bovina de corte e de leite. No total, o estudo projeta uma queda de 40,5 milhões de toneladas de CO2, que seriam emitidos até 2050, sem que as ações propostas fossem implementadas, para 2,2 milhões de toneladas de CO2. A cadeia da pecuária seria a que mais reduziria, de 23,6 milhões toneladas de CO2 para 7,5 milhões toneladas de CO2. O arroz teria uma queda de 12,4 para 3,1. A soja reduziria de 8,4 toneladas para uma emissão negativa de 1,2 toneladas de CO2. E a silvicultura, que já teria emissão negativa (3,9), em 2050, mantendo práticas atuais, cairia ainda mais, para -7,2, se as ações fossem implantadas.
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Segundo o inventário de emissões de gases de efeito estufa apresentado em outubro, as emissões líquidas de gases poluentes no Estado caíram 26,8% entre 2021 e 2023, levando-se em conta todos os setores produtivos. O indicador de Uso da terra, Mudança do Uso da Terra e Florestas (desmatamento) registrou a maior queda de emissões (21,8%, alcançando emissões negativas, -8,5%). Em segundo lugar ficou o setor de energia, que reduziu cerca de 2% suas emissões. Depois, vem a agropecuária, com redução de 1,6%. Os setores de resíduos e de processos industriais e uso de produtos mantiveram níveis estáveis.
O documento "Roteiros para a Descarbonização de Cadeias Produtivas" foi entregue ao presidente da da Comissão de Meio Ambiente da CNA, Muni Lourenço Silva Júnior. O presidente eleito da Farsul, Domingos Velho Lopes, acompanhou a reunião. Ao apresentar as projeções, a secretária de Meio Ambiente, Marjorie Kauffmann, explicou que o Estado assumiu, na COP26, em Glasgow, o compromisso de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa até 2050.
— Começamos a rever nossas políticas internas e vamos reduzir 100% emissões líquidas. Mas a partir de quanto? Qual o ponto de partida? — afirmou.
Enquanto em termos globais, o setor de energia é o que mais emite gases poluentes. No Brasil, o principal vilão é o desmatamento. No RS o maior emissor é o setor agrícola.
Leite afirmou que o estudo dará mais argumentos ao agronegócio, uma vez que práticas podem ser mensuradas.
— Mostrarmos com maior clareza o que é feito, com mensuração de seus resultados. Uma coisa é dizermos que somos sustentáveis, a outra é termos a medição do ponto de partida, uma linha de ação, com pontos a serem trabalhados da descarbonização, e o monitoramento com medição, para mostrar os efeitos práticos da descarbonização. Isso nos dá capacidade e objetividade sobre o compromisso ambiental da nossa produção agrícola e agrega valor para alcançarmos os mercados mais exigentes — afirmou o governador.

Representante da CNA, Muni elogiou o documento e questionou o fato de o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (órgão da ONU responsável por avaliações científicas), não levar em conta as peculiaridades do setor agrícola no Hemisfério Sul.
— O retrato que está sendo passado do agro brasileiro está distorcido porque é baseado em métricas da agricultura do Hemisfério Norte, que não leva em consideração das peculiaridades do agro brasileiro, que chega a até três safras, que espanta o mundo — disse, ao parabenizar o estudo gaúcho.
A projeção feita pelo governo do Estado é feita com base nos critérios científicos do IPCC, embora Marjorie reconheça a necessidade de uma metodologia diferenciada para o Hemisfério Sul. Domingos Velho Lopes, recém-eleito presidente da Farsul, também elogiou o trabalho.
— É um grande dia. Esse trabalho é um benchmark de como fazemos uma compilação das boas práticas agronômicas e veterinárias junto com o setor de pesquisa, inovação e tecnologia com participação do setor público. Foi um trabalho muito robusto, durante um ano e meio, uma construção coletiva. Construiu-se práticas que mantém o status quo ou que vão melhorar e que são factíveis sob o ponto de vista econômico, institucional jurídico e ambiental — disse.
A Sema trabalha em um estudo também para a indústria, ainda em produção e que começará pelo setor petroquímico.
Propostas para a cadeia do arroz
- Plantio direto consorciado
- Indundação intermitente
- Inibidores de metano
- Eficiência energética e combustíveis renováveis no beneficiamento
- Fixação biológica de nitrogênio e tratamento de resíduos
- Combustíveis neutros
Propostas para silvicultura
- Aumento de produtividade e redução no mudança do uso da terra e florestas (desmatamento)
- Combustível neutro no transporte
- Combustíveis menos intensivos e eficiência energética na indústria de papel e celulose
- Eficiência e queima de metano na produção e uso de produtos energéticos
Propostas para a soja
- Sistemas integrados e plantio direto
- Aumento de produtividade e zero conversão de área de formações naturais
- Redução das emissões de resíduos agrícolas
- Combustível neutro no transporte e cultivo
- Redução de fertilizantes
- Eficiência energética e combustíveis renováveis no processamento de soja e produção de ração
Propostas para cadeia pecuária bovina de corte e de leite
- Melhoramento de pastagens degradadas e maneno de campo nativo
- Sistemas integrados
- Manejo de dejetos
- Aditivos para redução de metano e melhoramento genético
- Redução do uso de fertilizantes
- Terminação intensiva
- Eficiência energética e combinação de renováveis na produção de carne e laticínios












































































