
O discurso do presidente Lula na abertura da Cúpula de Líderes, em Belém, nesta quinta-feira (6), descreve com precisão a necessidade de se levar a sério os alertas da ciência sobre os riscos de um planeta cada vez mais quente. Tudo certo! O presidente, como anfitrião da COP30, fez uma convocação exemplar diante dos mais de 120 chefes de Estado e de governo sobre a urgente necessidade de "se afastar dos combustíveis fósseis". Aliás, mais do que urgente, justa.
No entanto, a "COP da verdade", conforme escreveu o presidente em artigo publicado em grandes jornais brasileiros, inclusive Zero Hora, nesta quinta-feira (6), precisa começar com transparência. Caso contrário, virará mais um daqueles eventos para "inglês" ver — perdão pelo clichê, caro leitor, e sem qualquer relação com a presença do príncipe William em Belém.
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Mas o fato é que todos que se preocupam com um desenvolvimento sustentável estão cansados de retórica, de reuniões de cúpula nada efetivas e, principalmente, pouco resolutivas.
O discurso de Lula para o mundo ouvir não condiz com a prática - ao menos na parte em relação aos combustíveis fósseis. É verdade que o Brasil reduziu o desmatamento da Amazônia, e esse esforço deve ser reconhecido e aplaudido de pé, principalmente porque o governo anterior, de Jair Bolsonaro, sequer reconhecia o problema da emergência climática.
Mas em relação ao "se afastar dos combustíveis fósseis" (Lula usou literalmente o verbo "afastar-se", que consta no documento final da COP28, de Dubai), o que se vê é o contrário.
O governo anfitrião da COP30, como os anteriores, em Dubai e em Baku, o que faz é "aproximar-se" dos combustíveis fósseis", ao promover a exploração de petróleo na costa amazônica, não muito distante de Belém, para um país de dimensões continentais, na altura de Oiapoque (Amapá).
Talvez essa falta de coerência entre discurso e prática caiba na parte em que Lula referiu-se a estar "convencido das dificuldades e contradições". Talvez.
O presidente discursou com firmeza sobre justiça social e cooperação, em um mundo cada vez mais dividido geopolítica e economicamente. Mas a própria credibilidade da COP30 depende de transformar palavras em ações. E de coerência.












































































