
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A recente declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as companhias deveriam considerar o espaço aéreo da Venezuela como “fechado” ocasionou um esvaziamento do tráfego de aviões sobre o território venezuelano. Imagens em tempo real deste domingo (30), do site FlighRadar, mostravam poucas aeronaves sobrevoando o país.
Ainda no sábado (29), Trump afirmou que as companhias deveriam considerar o espaço aéreo da Venezuela e de suas redondezas como fechado. Na rede social Truth Social, o presidente republicano declarou: “A todas as companhias aéreas, pilotos, traficantes de drogas e traficantes de pessoas: considerem o espaço aéreo acima e ao redor da Venezuela totalmente fechado. Obrigado a todos pela atenção a este assunto.”
Na prática, o governo americano não tem autoridade legal para fechar o espaço aéreo de outro país. Contudo, a declaração aumenta a tensão entre os EUA e o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Ainda no sábado após a fala de Trump, o chanceler da Venezuela, Yván Gil Pinto, condenou “categoricamente” a fala de Trump e classificou o posicionamento como uma “ameaça colonialista”.
“Tais declarações constituem um ato hostil, unilateral e arbitrário, incompatível com os princípios mais básicos do direito internacional, e fazem parte de uma política permanente de agressão contra o nosso país, com intenções coloniais sobre nossa região da América Latina e do Caribe, em violação ao direito internacional”, diz um trecho do comunicado.
A situação, porém, vem se intensificando nos últimos dias. O tráfego aéreo na Venezuela está efetivamente suspenso há uma semana, desde que a Força Aérea dos EUA emitiu um alerta, na segunda-feira (24), advertindo sobre o risco de sobrevoar o país “devido à deterioração da situação de segurança e à intensificação da atividade militar”.
Na quarta-feira (26), o governo de Nicolás Maduro revogou a autorização de voo das companhias aéreas Gol, Latam Colômbia, Iberia, TAP, Avianca e Turkish Airlines, acusando-as de se “juntar às ações de terrorismo” promovidas pelos EUA ao cancelarem voos com origem ou destino na Venezuela. Segundo a imprensa venezuelana, as companhias Wingo, Copa, Boliviana de Aviación e Satena, além das empresas locais Avior e Conviasa, mantiveram suas operações.



