
Nelsa Inês Nespolo, 62 anos, enfrentou a enchente de 2024 no bairro Sarandi, em Porto Alegre. Teve a casa invadida pela água e precisou ficar um mês fora. Agora, ela está na COP30, em Belém, representando mais de 40 mulheres da comunidade envolvidas em bordado e na confecção de peças de vestuário a partir de algodão orgânico.
— A gente vem para dizer: "Olha, vimos nossa comunidade com as águas tomando conta das casas, perdendo tudo". Mas estamos mostrando que podemos fazer diferente com o meio ambiente, não usando agrotóxicos, produzindo a partir de um processo limpo de aproveitamento dos resíduos.
A rede Justa Trama reúne associações cooperativas da economia solidária. São cerca de 700 famílias no país. O plantio do algodão orgânico é feito no Ceará e no Rio grande do Norte, o fio e o tecido, em Minas Gerais, e os botões, em Rondônia. A confecção é feita em Porto Alegre.
Uma das mochilas vendidas na COP30 traz o bordado dos famosos ipês roxos e amarelos da capital gaúcha.
— O Ipê é também símbolo nacional. É como dizer: Vamos tocar em frente! Esperamos que o planeta nos dê mais uma chance de salvá-lo - afirma Nelsa, orgulhosa com seus produtos.



