
A COP30, oficialmente, ainda não começou. A abertura oficial será na segunda-feira (10). Mas, na prática, ela já foi inaugurada. Não só pelos discursos dos chefes de Estado e de governo, nesta quinta (6) e sexta-feira (7), que estão dando o tom da conferência, mas porque a maioria dos espaços já estão abertos aos participantes dentro da Blue Zone, a "zona azul", local onde são tomadas as decisões da COP.
Abertos não significa que estão operacionais. Os líderes, como Emmanuel Macron, a rainha Silvia, o príncipe William e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, não irão ver, mas o local da COP30 é ainda um canteiro de obras. Os chefes de Estado e de governo tiveram acesso ao plenário nesta quinta-feira dentro da área chamada "Hangar", um centro de convenções construído a partir de um antigo hangar do aeroporto que funcionava anos atrás no Parque da Cidade. Ali, está tudo lindo. Mas os delegados, negociadores e jornalistas adentram na COP30 pelo portão principal. Na COP do Brasil, o pavilhão das delegações fica logo após o ingresso na Blue Zone.

Ali há operários trabalhando por trás de uma cerca a fim de finalizar as áreas reservadas a cada nação. Seguindo-se em direção aos salões das reuniões, imensos paineis, que mostram imagens da floresta Amazônica, sua fauna e flora, ainda estão pelo chão a espera de serem posicionados nas paredes. E, no meio do caminho, as folhagens que decoram o corredor foram derrubadas pelo vento forte demais dos aparelhos de ar-condicionado. Há também escadas espalhadas em alguns espaços e pedaços de madeira espalhados em um dos corredores.
Faltam quatro dias para a abertura oficial da COP. A ideia de antecipar a abertura "extraoficial" foi do Planalto, na tentativa de liberar mais dias para as negociações — em outras COPs, o encontro de líderes ocorre no dia da inauguração formal.
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O "media center", centro de mídia usado pela imprensa nacional e internacional, segue o modelo das conferências anteriores - grandes mesas com cabos para internet e tomadas de elétrica - algumas dessas últimas não estavam funcionando na manhã desta quinta-feira (6). No momento do discurso do presidente Lula, nenhum aparelho de TV nos salões estava funcionando. Jornalistas corriam para obter um link da transmissão, restrita à imprensa oficial. Eram 13h, e nenhum aparelho transmitia os discursos dos líderes.
E sabe aquela crise dos preços exorbitantes para hospedagem em Belém? Ela parece ter migrado para dentro da COP30 — no caso, agora, para a alimentação. Para consumir dentro da Zona Azul, é necessário fazer um cartão pré-pago. Em um dos poucos cafés que já estão operando na Blue Zone, uma lata de água de 350 ml custa R$ 25 e um pedaço de bolo de cenoura com chocolate, por R$ 40. Já o cafezinho, famoso produto brasileiro, sai por R$ 18 (60ml).

A sensação, conhecida dos brasileiros, de que ficou para a última hora é amenizada pela gentileza e o esforço de voluntários, que ofereciam cafezinho, pão de queijo e água gratuitos.













































































