
O governo do Rio Grande do Sul e a empresa Be8, com sede em Passo Fundo, assinaram, nesta quarta-feira (12), durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), o contrato para a implantação do primeiro posto de abastecimento de hidrogênio verde do Rio Grande do Sul. No pavilhão da companhia, na Green Zone (Zona Verde) da conferência, em Belém (PA), o presidente da empresa, Erasmo Carlos Battistella, recebeu da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) a licença ambiental, que autoriza a produção do novo combustível.
O contrato e a entrega do documento ocorreu durante um ato com o governador Eduardo Leite, em sua última agenda, de dois dias, na COP30. O projeto foi um dos quatro selecionados pelo edital de chamada pública lançado no Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva de Hidrogênio Verde, coordenado pela Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema).
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O programa do Estado visa desenvolver a cadeia produtiva, promovendo produção, transmissão, armazenagem e uso do H2V, com foco em transição energética para economia de baixo carbono. Segundo o governo, a iniciativa busca diversificar a matriz energética estadual com fontes renováveis e estimular a inovação tecnológica.
— Quando o governo funciona, ele pode, não ele Estado empresário, não acredito no Estado empresário, mas ajudar quem empreende. Esse é o papel do Estado. Primeiro, sendo mais fácil, menos complexo, a partir de processos de licenciamento, com toda a responsabilidade ambinetal, mas com agilidade — afirmou Leite.
O projeto da Be8 representa um investimento total de R$ 38 milhões, com apoio do governo estadual (R$ 29,7 milhões) e contrapartida da empresa (R$ 8,9 milhões). Passo Fundo contará com o primeiro posto de abastecimento de hidrogênio verde dedicado a caminhões extrapesados no país, junto à usina de etanol da empresa, na BR-285.
Conforme a Be8, o objetivo é testar, em ambiente real, o desempenho, os custos e a viabilidade do combustível como alternativa ao diesel, tradicionalmente utilizado no setor de transporte de cargas. Além de contribuir para a redução das emissões de CO2, com potencial de evitar quase 400 toneladas de poluentes por ano, o projeto busca validar o modelo de negócio, capaz de tornar o hidrogênio competitivo frente aos combustíveis fósseis. Os dados coletados servirão de base para o desenvolvimento de uma futura rede de postos de abastecimento de hidrogênio verde, com potencial de replicação em todo o Estado.
— Eu estive na COP em Dubai. Eu lá vi outros projetos. Eu voltei e disse: "Temos de falar com esses caras. Nós vamos entender como é que fazem isso, porque esse é o futuro. E para construirmos o futuro, o amanhã, precisamos começar hoje — afirmou Battistella.
No total, os investimentos chegarão a R$ 100 milhões Além da Be8, foram contempladas pelo edital as empresas Âmbar Sul Energia, de Candiota, Tramontina, de Carlos Barbosa, e Rodoplast, de Vacaria. A Âmbar, que hoje utiliza hidrogênio cinza, pretende substituir o combustível da termelétrica por hidrogênio verde, não poluente. A Tramontina deve utilizar o combustível para mobilidade interna da empresa - empilhadeiras e robôs. E a Rodoplast transformará resíduos sólidos urbanos em hidrogênio de baixo carbono para uso na mobilidade e transporte da coleta coletiva de lixo. Segundo o governo do Estado, o próximo contrato (com a autorização da licença ambiental) deve ser assinado com a Tramontina.














































































