
Conhecedor dos meandros das negociações arrastadas e que, não raro, conduzem ao fracasso as COP, a presidência brasileira lançou mão de uma estratégia para tentar garantir o sucesso da conferência em Belém.
Em entrevista na tarde desta segunda-feira (17), o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago, afirmou que as partes concordaram em dividir o debate em dois pacotes de acordo: o primeiro envolveria os temas paralelos - e normalmente mais polêmicos, que entravam as conferências: financiamento, metas climáticas mais ambiciosas, medidas comerciais unilaterais e relatórios de transparência.
Divergências sobre esses assuntos travaram todas as últimas discussões climáticas.
Também seriam negociados itens que tenham relação com esses quatro temas polêmicos, como adaptação climática ou a transição justa.
Este pacote de temas seria fechado até o meio da semana, possivelmente quarta-feira (19). O outro pacote, menos polêmico, envolve todos os demais itens da COP.
- Vamos buscar antecipar ao máximo os resultados dessa COP, em dois pacotes: um pacote que vamos tentar fechar até metade da semana, e um segundo pacote que vamos tentar fechar até sexta-feira - afirmou Corrêa do Lago.
Esta é a segunda estratégia adotada pelo Brasil, nos últimos dias a fim de garantir maior fluência das negociações. A primeira foi no final de semana que antecedeu o início da COP30, no dia 10. A presidência garantiu que, diferentemente de eventos anteriores, a agenda dos debates fosse confirmada ainda antes do começo das negociações. Assim, não foi possível incluir novos temas ao longo das duas semanas. Itens que são incluídos ao longo das negociações propriamente ditas acabam atrasando (e por vezes entravando) os debates.
Levantar novos temas também é uma tática, muitas vezes, utilizadas pelos blocos de países para dificultar avanços, uma vez que todas as decisões da COP precisam ser tomadas por consenso entre as 198 partes (países e blocos, como a União Europeia).



