
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A renúncia, nesta segunda-feira (6), de Sébastien Lecornu ao cargo de primeiro-ministro da França, após menos de um mês no posto, agrava ainda mais a crise política e econômica enfrentada pelo Palácio do Eliseu. No entanto, as incertezas associadas ao nome de Lecornu já pairavam sobre o governo de Emmanuel Macron. Aliás, a crise já não é de hoje: em sete anos de presidência, Macron já teve sete primeiros-ministros.
Macron assumiu a presidência da França em 2017, tendo Édouard Philippe como seu primeiro primeiro-ministro. Philippe foi o que mais tempo permaneceu no cargo, deixando-o em julho de 2020. Na época, Macron entrava na segunda metade de seu primeiro mandato. A saída de Philippe foi uma manobra estratégica para "reiniciar" a presidência, marcando o início de um novo ciclo político.
O segundo primeiro-ministro de Macron foi Jean Castex, que ocupou o cargo por quase dois anos. Sua saída teve uma razão direta e constitucional: a conclusão do mandato presidencial de Macron e a realização das eleições de 2022. Assim como a saída de Philippe, a de Castex foi um movimento planejado e institucional, seguindo a lógica política do Palácio do Eliseu.
Já a terceira a ocupar o cargo foi Élisabeth Borne, que esteve à frente do governo entre maio de 2022 e janeiro de 2024. Ela liderou a controversa reforma da Previdência — que gerou grandes protestos — e aprovou diversas leis por decreto. Foi a primeira renúncia não programada do governo Macron, embora não tenha sido uma surpresa. A decisão teve caráter estratégico: uma tentativa do governo francês de retomar o controle da agenda política antes das eleições legislativas.
A saída de Élisabeth abriu espaço para Macron nomear Gabriel Attal, o mais jovem primeiro-ministro da história da França, com apenas 34 anos. No entanto, seu mandato durou cerca de nove meses. Ele renunciou após o resultado das eleições legislativas, em que os partidos de esquerda — oposição ao presidente — conquistaram a maioria.
Com apenas cerca de quatro meses no cargo, Michel Barnier, veterano político e ex-negociador-chefe do Brexit, foi nomeado após a dissolução do Parlamento e a convocação de novas eleições. Porém, parlamentares de esquerda e direita se uniram para derrubar o centro-direitista por meio de uma moção de censura.
Entre dezembro de 2024 e setembro de 2025, François Bayrou ocupou o cargo de primeiro-ministro. Seu mandato foi marcado por nove meses de intensos debates sobre a dívida pública, com pressões por novas eleições legislativas e até pedidos de renúncia do presidente Macron. Bayrou também enfrentou uma moção de confiança, que perdeu no Parlamento, o que o levou a renunciar ao cargo.



