
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O príncipe William confirmou sua participação na COP30, em Belém. No Brasil, terá uma nova oportunidade de quebrar a tradição de aparições discretas e protocolares. O herdeiro do trono britânico britânico tem apresentado visões diferentes da ortodoxia protagonizada pela monarquia.
A recente participação do príncipe William em um programa da Apple TV+ mostrou isso. Ela gerou grande repercussão nas redes sociais — não apenas por ele ter mencionado o irmão, Harry, com quem não mantém contato há anos, mas também por apresentar uma visão particular sobre o futuro da monarquia britânica.
William é o herdeiro natural do trono, que assumirá após o reinado de seu pai, o rei Charles III. Apesar do monarca não ter demonstrado publicamente grandes problemas de saúde, em fevereiro de 2024 o Palácio de Buckingham divulgou que o ele foi diagnosticado com câncer (em local não revelado) e está sob cuidados médicos.
Em abril de 2025, o escritor especializado em monarquia Tom Quinn afirmou à revista Harper's Bazaar que, como Charles foi o monarca mais idoso a ser coroado (na época com 72 anos, atualmente com 76), os preparativos para o reinado de William começaram antes mesmo de o pai dele assumir o cargo. Quinn acrescentou:
— Autoridades e assessores estão todos cientes de que William pode ter que se tornar rei mais cedo do que o esperado. Em parte por causa do câncer, em parte simplesmente (porque Charles tem) 76 anos. Ele pode viver mais 10 anos, pode viver mais 20 anos. Mas com o diagnóstico de câncer, é um sinal de alerta. Charles sabe que não será rei por tanto tempo.
Mudanças na monarquia
Durante o programa O Viajante Relutante, com Eugene Levy, na Apple TV+, William conversou com o ator sobre seu futuro papel como rei. O príncipe de Gales afirmou que pretende promover mudanças:
— Mudanças para melhor, e eu as aceito; gosto dessas mudanças. Não as temo, é isso que me anima, a ideia de poder promover algumas alterações. Não de forma radical, mas mudanças que considero necessárias.
Apesar de valorizar a tradição monárquica, William disse não ter receio de questioná-la:
— Há momentos em que você olha para a tradição e se pergunta: ela ainda serve para o propósito atual? Ainda é a coisa certa a fazer? Ainda estamos causando o maior impacto possível? Gosto de questionar as coisas, é isso que realmente quero dizer.
Em declarações à BBC de Londres, um funcionário da família real comentou que William não aceita respostas evasivas:
— Se a resposta for “porque é assim que sempre fizemos”, ele simplesmente não aceita.
Menção ao irmão
William fez apenas uma breve menção a Harry durante a entrevista. Apesar de não ter sido questionado especificamente sobre o irmão, o príncipe citou o passado familiar ao refletir sobre o futuro:
— Espero que não voltemos a algumas das práticas do passado em que Harry e eu crescemos. E farei tudo o que puder para garantir que não regredimos nessa situação.
Visita ao Brasil
Além da participação na COP30, a visita de William em novembro inclui uma agenda no Prêmio Earthshot, no Rio de Janeiro, no dia 5 de novembro, além de compromissos relacionados à conservação ambiental e ao programa United for Wildlife, causa abraçada pelo príncipe nos últimos anos.



