
Dois anos e um dia desde o horror protagonizado pelo grupo terrorista Hamas, que gerou uma resposta devastadora de Israel, a roda insana da violência no Oriente Médio, a se confirmarem os anúncios, pode, senão andar para trás, ao menos ser entancada por um tempo.
Até a noite desta quarta-feira (8), não havia detalhes do acordo entre Israel e o Hamas, anunciado por Donald Trump e confirmado por breves comunicados dois dois lados no Oriente Médio. Mas, a se confirmar os pontos principais da proposta apresentada pela Casa Branca na semana passada, haverá a devolução de 48 reféns israelenses que ainda estão em Gaza — 18 deles, mortos — em troca de 1.950 prisioneiros palestinos (250 condenados à prisão perpétua e 1,7 mil detidos desde o início da guerra).
Israel recuaria suas tropas a uma linha ainda não conhecida - não se sabe se ainda dentro de Gaza ou já fora do território.
Há vários pontos de interrogação sobre como isso vai ocorrer — e, sobretudo, vivemos um momento mais delicado de um cessar-fogo, o período em que há crises de confiança, fragilidades, em que qualquer frase mal colocada, no público ou no privado, pode fazer tudo desandar.
Essa seria apenas a primeira fase, onde calam-se os canhões em troca de um trégua. Não significa uma paz duradoura. Momentos assim já houve ao longo desses dois anos — mas nunca com tantos mediadores envolvidos — além dos EUA, o Catar, o Egito (que sedia as conversações, no balneário de Sharm el-Sheick) e a Turquia.
O primeiro deles foi entre 24 e 30 de novembro de 2023, quando um cessar-fogo de quatro dias permitiu a libertação do maior contingente de reféns israelenses — 50, no total.
Depois, em fevereiro de 2024, após uma operação militar que libertou dois reféns, houve uma nova negociação que permitiu a saída de seis reféns vivos e a entrega de quatro corpos. E janeiro deste ano, três mulheres foram libertadas no início de novo cessar-fogo que teve, como segunda fase, a entrega de mais quatro cativos. Uma terceira etapa permitiu a saída de mais três (ainda em janeiro) e duas rodadas em que novos trios foram soltos.
Em um episódio macabro, transformado em show pelo grupo terrorista, em fevereiro, o Hamas entregou os corpos de quatro sequestrados — e seis vivos.
Repito, esse é mais um cessar-fogo — já houve outros, e que foram quebrados, porque o ódio continuou falando mais alto. Mas há uma exaustão de todos os lados, o que, enfim, pode resultar em algo mais duradouro.
Há ceticismo no ar. E mais dúvidas do que respostas. Não se sabe se o Hamas vai se desarmar — provavelmente, não. Não se sabe como será a reconstrução de Gaza — se houver. Não se sabe quem colocaria dinheiro no território ou, tampouco, se Israel irá cumprir sua parte tão logo os reféns, última moeda de troca dos terroristas, forem libertados. Muito menos se fala em um futuro Estado Palestino, citado cheio de condicionais no frágil mapa do caminho de Trump. Mas, por hoje, se os últimos reféns voltarem para casa, e comida e remédios começarem a entrar em Gaza, já teremos muito a comemorar.


