
Em 2023, a COP28 foi realizada nos Emirados Árabes Unidos, o sétimo maior exportador de petróleo do mundo e que teve como presidente o CEO da Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), Sultan Ahmed Al Jabe. No ano seguinte, foi a vez de Azerbaijão, país asiático que tem no petróleo e no gás os pilares da economia, sediar a COP29.
Agora, a COP30 será no país onde o governo que reivindica liderança global na área ambiental terá acabado de autorizar a perfuração de poço exploratório de petróleo na foz do Amazonas.
Como se vê, coerência entre discurso e prática não é algo muito levado em conta pelos anfitriões das conferências mundiais do clima. Mas as contradições entre o que diz lá fora e o que faz no âmbito doméstico não passam despercebidas. No caso brasileiro, é ainda pior, porque o governo Lula se arvora o título de campeão ambiental.
Quem precisa de inimigos se o próprio Planalto boicota o maior evento ambiental do país em mais de 30 anos?
A abertura de novos poços de petróleo não só contradiz o discurso oficial, colorido de verde, como compromete compromissos do país com a transição energética e compromete esforços de evitar que a temperatura média do planeta suba 1,5°C em relação ao período pré-industrial, meta do Acordo de Paris.
Coerência, aliás, é algo que de não se pode esperar do governo Lula em temas ambientais — haja vista o anúncio do ingresso do Brasil como observador na OPEP+ às vésperas da COP de Dubai. O gesto anunciado nesta segunda-feira (20) enfraquece a legitimidade da diplomacia brasileira, envergonha a nação e põe um bode na sala da conferência de Belém.






