
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Diante da "química" entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a Assembleia Geral da ONU, surgiram expectativas de que um encontro ou ligação entre os dois pudesse ocorrer ainda nesta semana. Contudo, eventos diplomáticos entre presidentes dificilmente são operacionalizados de forma rápida e simples.
Além de agendas conflitantes, fatores internos do governo norte-americano podem ter dificultado a concretização da reunião. Logo no início da semana, por exemplo, Trump anunciou, ao lado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, um plano de paz para a região de Gaza, o que ocupou parte significativa de sua agenda diplomática. Além disso, um tema doméstico passou a dominar as atenções na Casa Branca: shutdown que entrou em vigor na quarta-feira (1º) e que pode paralisar diversos serviços federais nos EUA.
A diplomacia brasileira avalia, atualmente, três possíveis formatos para o encontro: uma videoconferência, uma reunião na Casa Branca ou um encontro em um terceiro país. Durante audiência na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que ainda não há previsão de data ou formato definido para o diálogo:
— Conversei com altos assessores do presidente Trump e combinamos de avaliar um momento adequado, que pode ser por telefone, videoconferência ou um encontro presencial em algum evento internacional em que ambos estejam presentes. Estamos prontos, trabalhando para estabelecer esse contato, que ocorrerá em algum momento futuro. Há disposição de ambos os lados — declarou.
O chanceler brasileiro vê com otimismo a perspectiva de reunião entre os dois líderes e reiterou que o Brasil mantém sua posição de não misturar política e comércio.
— Há abertura para diálogo, sem jamais abrir mão de posições que não confrontem nossa soberania. Permaneceremos atentos — enfatizou.
Encontro em um terceiro país
Mauro Vieira não descartou a possibilidade de o encontro ocorrer em um terceiro país. De acordo com a agência de notícias Bloomberg, o governo brasileiro estaria de olho na cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que ocorrerá na Malásia a partir de 26 de outubro. O evento poderia oferecer uma oportunidade para a reunião em território neutro.
Lula já confirmou presença na cúpula, que ocorrerá em Kuala Lumpur, capital da Malásia. Trump ainda não confirmou participação no evento.





