
O uso de drones pelos criminosos no enfrentamento da polícia, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), lembra o modus operandi de guerras como na Ucrânia e no Oriente Médio.
Os veículos aéreos não tripulados (Vants), nome técnico dos drones, têm modificado a dinâmica dos conflitos armados. Sua produção é muito mais barada do que um míssil, por exemplo. Além disso, pode ser operado a quilômetros do front, não expondo o combatente ao risco (aliás, muitos brasileiros que atuam como voluntários no conflito ucraniano são recrutados como "pilotos de drones". São comprados sem grandes restrições. Seu manuseio é relativamente fácil, podendo ser manobrado por qualquer pessoa com pouco treino técnico.
Assim, depois de se tornar a arma preferida das guerras contemporâneas, sendo utilizado em conflitos entre dois Estados - caso de Rússia e Ucrânia ou pelo Irã contra Israel -, são também, cada vez mais, utilizados por grupos paraestatais, ou seja terroristas ou criminosos.
Há diferenças, claro, no tipo de uso dos equipamentos. A Rússia costuma jogar seus drones suicidas, os Shahed (de fabricação iraniana), contra os alvos. Não são rápidos ou de alta tecnologia, mas são baratos e suficientes para o Kremlin lançar mais de 700 em uma noite, para sobrecarregar as defesas antiaéreas da Ucrânia O Irã também os utiliza assim. Você deve lembrar daquele enxame de mais de 400 drones lançados contra Israel no conflito de 12 dias, em em junho.
No caso dos traficantes, são drones comerciais, de modelos populares, leves e fáceis de pilotar. Já têm sido utilizados há anos para reconhecimento e para o lançamento de pacotes, com drogas ou celulares, em presídios. Mas, de uns tempos para cá, passaram a ser usados em confrontos: adaptados para que o "dispenser" (dispensador) seja capaz de lanar explosivos. Outros modelos, mais caros, como os FPV, usados em corridas, são customizados para aumentar o alcance, a velocidade em operações onde há necessidade de furtividade e manobralidade.
Há uma mudança de paradigma, e a ação desta terça-feira (28) no Rio marca uma nova escalada do poder bélico das facções. Sem dúvida, assim como os drones desafiam forças armadas de países da Otan e Israel, sua implementação pelos bandidos desafia, cada vez mais, as organizações policiais.




