
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A pauta dos impactos do aumento de tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros é um dos principais assuntos da Expointer, em Esteio. Com efeitos na agricultura e outros setores, os reflexos da medida também atingiram a pecuária. O assunto foi tratado nesta quarta-feira (3) durante o evento Tá Na Mesa da Federasul, que recebeu o sócio-proprietário do Frigorífico Coqueiro, Luiz Roberto Saalfeld.
Na avalição do empresário, atualmente os EUA têm uma necessidade maior de importar carne brasileira do que o Brasil precisa vendê-la para os americanos.
— Hoje eles precisam muito da carne brasileira, porque a diferença de preço entre a nossa e a deles está muito grande. A nossa custa em torno de US$ 55 contra US$ 127 deles, dado da semana passada. Hoje, talvez, esteja em US$ 130 a arroba, que equivale a 15 quilos. Por isso, eu acho que, devido a essa diferença, eles precisam mais da nossa carne do que nós precisamos do mercado deles — afirmou à coluna.
Saalfeld fez uma comparação com o suco de laranja, que foi retirado da lista de tarifas. Ele acredita que a carne deveria ter entrado nas exceções do presidente americano.
— Deveria ter sido retirada, como foi o suco de laranja, porque de cada dez copos de suco de laranja consumidos nos EUA, nove são produzidos no Brasil. Então, logo em seguida, eles isentaram (o produto). Eu, particularmente, achava que a carne seria retirada, mas não foi.
A aposta do sócio-proprietário é de que a tarifa deve cair nos próximos dias.
— É mais prejudicial para os próprios americanos do que para o Brasil. Diferentemente de outros segmentos, eles precisam mais da nossa carne do que nós (precisamos vendê-las).
O Frigorífico Coqueiro fica na zona sul do Estado e é especializado no processamento e comercialização de carnes bovinas e ovinas de alto padrão.




