
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Mesmo sem citar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula tratou de pelo menos três assuntos que podem ser encarados como "mensagens" ao líder norte-americano durante o seu discurso de abertura do da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (23).
Primeiro, sem citar as medidas tarifárias que os EUA aplicaram sobre produtos brasileiros e sobre sanções a membros do Judiciário do Brasil, Lula reafirmou o posicionamento que havia publicado em artigo no jornal The New York Times:
— Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Nós seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela.
Na ocasião do artigo, Lula afirmou que, mesmo não concordando com a aplicação de medidas, estava aberto para conversar com o republicano. Logo após a fala do brasileiro, Trump discursou e citou um rápido encontro com Lula. Disse que considera que os dois contam com "química" e que devem se reunir na próxima semana.
Em outro momento, o presidente do Brasil defendeu os movimentos migratórios do mundo:
— (A democracia) perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.
Desde o início do segundo mandato de Trump, ele tem restringido as regras de acesso aos Estados Unidos e também endurecendo as medidas de deportação de moradores ilegais em território norte-americano. De fevereiro até agosto, por exemplo, o Brasil recebeu mais de 1,2 mil repatriados. Recentemente, também, o governo do republicano disse que vai pintar o muro do México para aumentar o calor e impedir a escalada de imigrantes.
A terceira mensagem que pode ser encarada como um recado para o republicano é referente às plataformas digitais. Trump já afirmou em algumas ocasiões que o Judiciário brasileiro pratica censura contra redes sociais americanas no Brasil.
— As plataformas digitais trazem possibilidade de nos aproximar como jamais havíamos imaginado, mas têm sido usadas para semear intolerância, misoginia, xenofobia e desinformação. A internet não pode ser terra sem lei. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis. Regular. Não é restringir a liberdade de expressão, é garantir. Que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim também no ambiente digital, no ambiente virtual.
Um dos exemplos é o caso da rede social Rumble. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a empresa travam uma disputa judicial nos EUA. Em fevereiro deste ano, Moraes determinou o bloqueio da rede social no Brasil por não apresentar um representante legal no país.
O presidente Lula já afirmou em outras oportunidades que as redes sociais americanas, assim como de outras nacionalidades, terão de se adequar às legislações brasileiras, fato que é avaliado como "ataques à liberdade de expressão" pelo norte-americano.



