
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Uma história inusitada tomou conta do Palácio do Eliseu, sede do governo francês. O presidente da França, Emmanuel Macron, e sua esposa, Brigitte, pretendem apresentar laudos científicos e fotografias a um tribunal dos Estados Unidos para provar que a primeira-dama nasceu mulher.
Trata-se, na verdade, de uma documentação fará parte de um processo por difamação movido pelo casal contra a influenciadora de direita norte-americana Candace Owens, que afirmou publicamente acreditar que Brigitte seria um homem.

Candace, ex-comentarista do jornal americano Daily Wire — de linha editorial conservadora —, repetiu em várias ocasiões que a primeira-dama da França seria do sexo masculino. Em março de 2024, chegou a declarar que apostaria “toda a sua reputação profissional” nessa alegação.
No início deste ano, a influenciadora, que tem seis milhões de seguidores, lançou uma série de vídeos intitulada "Becoming Brigitte" (“Tornando-se Brigitte”), na qual sustentava que Brigitte escondia seu “verdadeiro sexo biológico”. Há poucas semanas, Candace divulgou um vídeo em que afirmava que Macron era homossexual e que poderia ter uma relação com o ex-primeiro-ministro do Canadá Justin Trudeau.
Candace é uma figura central no conservadorismo moderno, frequentemente alinhada com a ala mais combativa e populista do Partido Republicano. É uma forte defensora do presidente Donald Trump. Ela escreveu o livro "Blackout: How Black America Can Make Its Second Escape from the Democrat Plantation" (2020), onde argumenta que as políticas do Partido Democrata são prejudiciais para os negros americanos.

É uma crítica ferrenha do movimento Black Lives Matter, argumentando que ele é divisivo e não representa os verdadeiros interesses da comunidade negra. Frequentemente expressa ceticismo em relação às mudanças climáticas e foi crítica em relação às lockdowns e mandatos de vacinas durante a pandemia.
Ela também trabalhou para a organização conservadora Turning Point to USA, organização co-fundada por Charlie Kirk, assassinado neste mês.
Em julho, Macron e a esposa ingressaram com uma ação judicial contra Candace Owens nos EUA. Em entrevista recente ao podcast da BBC Fame Under Fire (“Fama Sob Fogo”), Tom Clare, advogado do casal no caso, afirmou que Brigitte considerou as acusações “profundamente perturbadoras”.
Porém, a alegação não é nova. Ela surgiu em anos anteriores, quando duas blogueiras, Amandine Roy e Natacha Rey, publicaram um vídeo no YouTube em 2021 defendendo a mesma tese. Em 2024, o casal Macron venceu um processo de difamação contra as duas, mas a decisão foi anulada em apelação em 2025, com base no direito à liberdade de expressão.




