
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Diante de representantes de cerca de 30 países na ONU, o presidente Lula fez uma autocrítica sobre o papel dos líderes mundiais diante da crise da democracia. Ao relembrar o seu período na presidência, ele ponderou que, na sua opinião, os erros cometidos por políticos nos últimos tempos contribuíram para o crescimento da extrema direita no mundo.
A fala ocorreu durante a segunda edição da reunião Em Defesa da Democracia, Combatendo Extremismos e Lula fez um apelo aos presentes para que repensem o seu papel para o fortalecimento da democracia no mundo:
— Quando for dormir à noite, encosta a cabeça no travesseiro e se pergunte: o que você fez durante o dia para fortalecer a democracia? Com quantas pessoas você falou de democracia? Com quantas pessoas você falou da necessidade da organização popular? Com quantas pessoas você chamou para se organizar? — questionou o presidente.
O representante do governo brasileiro também fez um balanço sobre sua trajetória política e lembrou que o seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), foi fundado no contexto dos movimentos sociais e sindicais, e refletiu sobre o contato com a população de base.
— Com quantas pessoas nós falamos de democracia? Com quantas pessoas nós falamos de organização popular? A verdade é que nós não falamos. E se nós não falamos, nós não organizamos. E se nós não organizamos, a democracia perde — enfatizou.
Ao analisar o papel dos partidos e das lideranças, Lula chamou atenção para o que considerou erros da esquerda e dos democratas.
— O que me importa hoje é a gente responder para nós mesmos aonde é que os democratas erraram. Onde é que foi o momento que a esquerda errou? Por que nós permitimos que a extrema direita cresça com a força que está crescendo? Onde é que nós erramos? O que é que eu fiz como presidente da República? — questionou.
O evento ocorreu à margem da Assembleia Geral da ONU e foi articulado por Lula e pelos presidentes Gabriel Boric, do Chile; Pedro Sánchez, da Espanha; Gustavo Petro, da Colômbia; e Yamandú Orsi, do Uruguai, para discutir a defesa da democracia e o combate ao extremismo. A primeira edição ocorreu em julho, em Santiago, no Chile. Antes mesmo da reunião anterior, os líderes já haviam divulgado um artigo conjunto em defesa do tema.
Os Estados Unidos não foram convidados para o evento.



