
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O presidente Lula assinou, neste domingo (14), um artigo no jornal norte-americano The New York Times, no qual enviou um recado a Donald Trump, afirmando que está aberto a negociar com os Estados Unidos, mas não abre mão da democracia e da soberania do Brasil.
Logo no início do artigo, Lula explica que decidiu escrevê-lo para "estabelecer um diálogo aberto e franco com o presidente dos Estados Unidos". Segundo o brasileiro, é possível reconhecer como legítimas as motivações para a recuperação de empregos nos EUA e a reindustrialização ao aplicar tarifas sobre produtos brasileiros, mas considera que ações unilaterais contra Estados "prescrevem o remédio errado".
O presidente brasileiro afirmou que o governo americano está utilizando tarifas e a Lei Magnitsky como uma forma de buscar impunidade ao ex-presidente Jair Bolsonaro: "que orquestrou uma tentativa fracassada em 8 de janeiro de 2023, em um esforço para subverter a vontade popular expressa nas urnas", afirmou no artigo.
Lula também fez elogios ao STF pelo resultado do julgamento que resultou na condenação de Bolsonaro. Ele destacou que não se trata de uma "caça às bruxas" — como dito anteriormente pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo próprio Trump —, mas sim que a decisão foi tomada em conformidade com a Constituição Brasileira de 1988.
Criticando a acusação do governo Trump de perseguição e censura perpetrada pelo sistema judiciário brasileiro a empresas de tecnologia americana, Lula afirmou que são "alegações falsas" e que todas as plataformas, nacionais ou estrangeiras, "estão sujeitas às mesmas leis no Brasil".
Até o Pix, que foi alvo de críticas por parte dos estadunidenses, também foi mencionado no artigo de Lula. Segundo o presidente brasileiro, as alegações de práticas desleais do Brasil no comércio digital e nos serviços de pagamento são infundadas. "Não podemos ser penalizados por criar um mecanismo rápido, gratuito e seguro que facilita as transações e estimula a economia", afirmou.
Por fim, Lula disse que não há diferenças ideológicas que impeçam os dois governos de trabalharem juntos em objetivos comuns. Ele afirmou, também, que está aberto a qualquer negociação que possa trazer benefícios mútuos, mas destacou que "a democracia e a soberania do Brasil não estão em pauta".




