
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Um movimento de mais de 30 entidades e organizações de direitos humanos do Rio Grande do Sul mobiliza-se para transformar o Dopinho — um casarão que serviu como centro de repressão durante a ditadura militar em Porto Alegre — em um centro de memória.
A proposta partiu de uma iniciativa do Instituto Sig — Psicanálise & Política. Ao tomar conhecimento de que o imóvel, de propriedade privada, estava à venda, o instituto articulou uma rede de entidades para elaborar uma carta com o objetivo de converter o local em um centro de memória.
De acordo com a psicóloga Maria Luiza Castilhos Flores Cruz, integrante do Instituto Sig, o objetivo é apresentar a proposta ao poder público federal.
— Estamos interessados em trabalhar por uma política pública de memória em Porto Alegre, para ressignificar um local que foi tão importante para quem viveu a ditadura e para a cidade — explicou.
A iniciativa ganhou força nas últimas semanas, após ser apresentada na Conferência Livre de Direitos Humanos "Ditadura Nunca Mais", realizada neste mês como evento preparatório para a Conferência Estadual de Direitos Humanos do RS.
Segundo Júlio Alt, presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos do RS, órgão responsável pela organização da conferência, a ação busca evitar o apagamento da memória coletiva sobre a ditadura militar na capital gaúcha.
— Queremos transformá-lo em um centro de memória, já que o local é um imperativo moral daquele período — declarou.
Próximos passos
Maria Luiza afirma que o objetivo é solicitar ao governo federal que avalie a possibilidade de permuta ou compra do imóvel. A psicóloga menciona que a deputada estadual Sofia Cavedon (PT) também articula a causa junto ao poder público.
Uma audiência pública na Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, marcada para 6 de outubro, às 18h, deve discutir o assunto e definir encaminhamentos. Um abaixo-assinado também foi criado para mobilizar o apoio popular.
Paralelamente, segundo Alt, a proposta será formalmente apresentada na conferência estadual, agendada para os dias 24 e 25 de outubro.
— Todas as propostas aprovadas na conferência serão tratadas como prioridade do RS na pauta de direitos humanos. Como somos um órgão estadual, podemos encaminhar as demandas a instâncias nacionais. A carta de apoio permanece aberta para novas adesões — completou.
O Dopinho, localizado na Rua Santo Antônio, no bairro Floresta, abrigou, entre 1964 e 1966, um centro de tortura e detenção clandestina de prisioneiros ilegais da ditadura militar, sendo palco de graves violações de direitos humanos.





