
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O Campo em Debate desta sexta-feira (5) saiu da Casa RBS, na Expointer, em Esteio, e foi para o espaço do Banrisul para debater as Tendências Econômicas e Perspectivas para a Safra Gaúcha.
Conforme o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, o Estado hoje vive um momento de reorganização. Segundo ele, o RS passou por uma safra boa e depois por três safras perdidas, uma enchente e juros a 15%.
— Nós do Banrisul temos essa preocupação e temos feito isso muito fortemente. O próprio Governo do Estado injetou recursos para que possamos ajudar a reorganizar os nossos produtores: fizemos a prorrogação de praticamente toda a nossa carteira, com três anos de prazo, mantendo as taxas de juros, mantendo a equalização, que era do governo federal e passou para os recursos do governo estadual, para que possamos reorganizar o campo e começar a aproveitar agora as oportunidades que vêm pela frente, e haverá muitas oportunidades — disse Lemos.
A notícia da assinatura da Medida Provisória que libera R$ 12 bilhões para a repactuação das dívidas de até 100 mil produtores rurais gaúchos também foi debatida no encontro. O vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho, avalia que a medida não supre todas as necessidades dos produtores do Estado, mas já ajuda:
— É um começo. Haverá produtores aos quais faltará recurso junto ao sistema privado de cooperativas e revendas, outros que ficarão excluídos, mas é um começo e a grande vantagem da Medida Provisória é que ela tem ação imediata. Portanto, isso é que nem uma sopa, nós vamos comendo pela beiradas. Tem que começar a ter atitudes. Não é o ideal, mas é um começo e nós temos de trabalhar sempre na construção coletiva da solução — afirmou Velho.
O aumento de tarifas do presidente americano, Donald Trump, também foi tratado. O engenheiro agrônomo e sócio-diretor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, avaliou o cenário geopolítico global. Segundo ele, o principal impacto para os gaúchos é na pecuária:
— As tarifas vão criando um ambiente que talvez mude a origem e o destino de um produto, mas o contexto global me parece estável para nós, brasileiros. Há um produto só, que acho que vale a menção, que afeta a economia gaúcha e do qual particularmente eu estou extremamente otimista. Acredito piamente que será o grande produto agrícola dos próximos dois anos e vai ajudar na recuperação da economia aqui do Rio Grande do Sul: a pecuária de corte. Nós estamos vivendo um momento de muito pouca oferta nos EUA. Nunca houve uma disparidade de preços como a atual. Com a tarifa de 50%, caiu bastante o volume exportado pelo Brasil, mas nós já realocamos, estamos mandando para o México, estamos abrindo novos mercados rapidamente.





