
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Um comunicado do Ministério da Saúde da França, divulgado em julho, ganhou grande repercussão nos últimos dias na imprensa local. Trata-se de uma carta do governo orientando hospitais e agências de saúde do país a se prepararem para um possível empenho militar em larga escala até março de 2026.
O documento aponta que a França poderá se tornar uma base para receber milhares de soldados franceses e estrangeiros feridos em um eventual conflito de grandes proporções na Europa. Há ainda a previsão de criação de centros médicos em portos e aeroportos, com o objetivo de redirecionar os militares aos seus países de origem.
A carta foi publicada inicialmente pelo jornal satírico Le Canard Enchaîné e repercutida por veículos como Le Figaro, o semanário Le Journal du Dimanche e o britânico The Independent. Segundo o Le Canard Enchaîné, entre 10 mil e 50 mil soldados podem ser internados em hospitais nos próximos 180 dias.
Questionada pela emissora BFMTV na última semana, a ministra da Saúde, Catherine Vautrin, não negou a existência do documento. Limitou-se a afirmar que os hospitais estão em constante preparação para epidemias e que seria “perfeitamente normal que o país se antecipe a crises”.
Não ficou claro a qual guerra ou a quais militares o comunicado se refere. No entanto, o presidente francês, Emmanuel Macron, tem atuado de forma ativa nos esforços para encerrar o conflito entre Rússia e Ucrânia, que já dura mais de três anos. Nesta quarta-feira (3), Macron declarou que os europeus estão “dispostos” a “oferecer garantias de segurança à Ucrânia e aos ucranianos no dia em que a paz for assinada”.
Além disso, em julho, o presidente anunciou um plano para ampliar os gastos com defesa, prometendo dobrar o orçamento militar até 2027. Os investimentos, que eram de 32 bilhões de euros em 2017, passarão para 64 bilhões até 2027, com acréscimos de 3,5 bilhões em 2026 e outros 3 bilhões em 2027.




