
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O presidente do Chile, Gabriel Boric, oficializou na Assembleia Geral das Nações Unidas a candidatura de Michelle Bachelet para suceder António Guterres na liderança da ONU a partir de 2027. Contudo, a ex-presidente chilena não é a única candidata em potencial.
Michelle Bachelet foi presidente por duas vezes. A primeira foi entre 2006 e 2010, quando se tornou a primeira mulher eleita para o cargo na história do Chile. Entre 2010 e 2013, tornou-se a primeira diretora da ONU Mulheres, entidade dedicada à igualdade de gênero e ao empoderamento feminino. Em seguida, foi reeleita para a presidência do Chile de 2014 a 2018. Entre 2018 e 2022, chefiou o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), tornando-se a principal autoridade global na área.
Outro nome cotado para o cargo é o do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi. Entre suas atribuições estão a promoção de tecnologias nucleares para a saúde e a agricultura e, crucialmente, atuar como fiscal do regime de não proliferação de armas nucleares.
Grossi tem um papel atuante em crises internacionais recentes. Desde a invasão russa da Ucrânia em 2022, atuou para evitar um acidente nuclear, liderando missões de inspeção à Usina de Zaporizhzhia. Também conduziu negociações complexas com o Irã sobre a revitalização do acordo nuclear.
A Bolívia também apresentou um candidato: seu vice-presidente, David Choquehuanca. Líder indígena, ele tem uma trajetória marcada pela forte ligação com os movimentos sociais e pela defesa dos povos originários. Entre 2006 e 2017, no governo de Evo Morales, ocupou o cargo de chanceler.
O México indicou Alicia Bárcena, que atualmente é secretária de Meio Ambiente e Recursos Naturais. Entre 2008 e 2022, Bárcena foi secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) das Nações Unidas. Entre 2023 e o início de 2024, ocupou o cargo de chanceler do México. Anteriormente, foi chefe de gabinete do então secretário-geral Kofi Annan e representante permanente adjunta do México junto à ONU.
Do Caribe, a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, também é considerada uma forte candidata. Ela é famosa por sua defesa ferrenha da justiça climática e por ser a principal idealizadora do "Plano Bridgetown", uma proposta ousada para reformar o sistema financeiro internacional.
A atual secretária-geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), a costarriquenha Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente de seu país (1994-1998), também está entre os nomes cotados. Ela fez história ao se tornar a primeira mulher secretária-geral da Secretaria-Geral Ibero-americana (SEGIB). Anteriormente, na ONU, ocupou os cargos de administradora associada do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e secretária-geral adjunta das Nações Unidas.
Ainda no começo do ano, o governo brasileiro sinalizou que iria propor à Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) que os países-membros se unissem em torno de uma candidatura única para o cargo.



