
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
Depois de 20 anos sob a liderança de partidos de esquerda e da presença de Evo Morales, a Bolívia terá um segundo turno nas eleições presidenciais com dois candidatos de direita. O pleito deste domingo (17) definiu que o senador Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão, e o ex-presidente Jorge Quiroga, da aliança política Livre, se enfrentarão em uma nova votação em 19 de outubro.
O mais inesperado no pleito foi a liderança de Rodrigo Paz Pereira. Economista de 57 anos, é filho do ex-presidente social-democrata Jaime Paz Zamora (1989-1993). Além de senador, foi deputado e prefeito da capital da região próxima à fronteira com a Argentina.
Apesar da trajetória política no país, ele nasceu em Santiago de Compostela, na Espanha, durante o exílio que sua família viveu devido à perseguição da ditadura militar. Ele tem nacionalidade boliviana devido à origem de seu pai, já que sua mãe é espanhola.
Ainda durante sua campanha, prometeu a incorporação das classes médias e baixas à vida econômica do país com créditos acessíveis, livre importação de produtos e uma reforma tributária para incentivar a indústria nacional. Atualmente, o país enfrenta graves problemas econômicos.
Sua vitória no primeiro turno foi inesperada, já que a maior parte das pesquisas o apontavam entre o terceiro e o quinto lugar. Analistas afirmam que ele representa uma renovação política centrista no país.
Já Jorge Quiroga, mais conhecido como "Tuto", foi vice-presidente do militar Hugo Banzer, um ex-ditador que alcançou a presidência pela via democrática entre 1997 e 2001. Ele tem 65 anos e é engenheiro formado na Universidade A&M do Texas, além de ex-funcionário da multinacional americana IBM.
Chegou a substituir Banzer após sua renúncia devido a um câncer, ocupando o cargo entre 2001 e 2002. Depois desse breve período, tentou chegar à Presidência novamente em 2005 e 2015, mas em ambas as oportunidades fracassou.
Ele se autodenomina liberal e disse, durante a campanha, que irá fazer acordos de livre-comércio com China, Coreia, Japão e Europa para tentar melhorar a economia da Bolívia. Também prometeu reduzir o déficit fiscal, o Estado, realizar privatizações em empresas públicas e promover uma nova Constituição.






