
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A presença de um avião militar americano que pousou em Porto Alegre e em São Paulo levantou especulações, nos últimos dias, parlamentares a solicitarem explicações ao governo sobre o objetivo do voo.
Não é a primeira vez que esse tipo de evento gera tensões diplomática. A coluna mostrou pousos anteriores, de aeronaves britânicas no Salgado Filho e na Base Aérea de Canoas. Mas a presença de aviões de rivais geopolíticos dos Estados Unidos também já gerou polêmica.
Recentemente, um cargueiro russo permaneceu por três dias em Brasília, e navios iraniano atracaram no Porto do Rio.
No início do mês, a aeronave russa Ilyushin IL‑76TD pousou na Base Aérea de Brasília antes de seguir viagem para outros países da América do Sul. Poucos dias depois, a mesma aeronave estava em Havana, capital de Cuba, após passar por nações como a Venezuela. O motivo da viagem ainda é um mistério.

A aeronave teria decolado de Moscou, passado por Baku (Azerbaijão), Argel (Argélia) e Conacri (Guiné), antes de cruzar o Atlântico rumo ao Brasil. Após sair de Brasília, seguiu para Santa Cruz de La Sierra (Bolívia), Bogotá (Colômbia), Caracas (Venezuela) e, por fim, Havana.
Até o momento, não há explicações por parte do governo brasileiro sobre o motivo da entrada da aeronave no país nem sobre os três dias de permanência. Além disso, não há detalhes sobre a carga transportada ou sobre quem integraria a tripulação. Não havia registro dessa aeronave como voo comercial por parte da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o que poderia caracterizar uma missão diplomática ou militar.
O avião pertence à empresa Aviacon Zitotrans, incluída na lista de companhias sancionadas pelo Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) dos EUA por fornecer apoio logístico militar à Venezuela, incluindo armamentos para o governo de Nicolás Maduro. A empresa também é acusada de facilitar o transporte de equipamento militar russo para países da África.

Em fevereiro de 2023, duas embarcações da marinha do Irã estiveram atracadas no Rio de Janeiro. O porta-helicópteros IRIS Makran e a fragata IRIS Dena ficaram cerca de uma semana na área. Por se tratarem de navios de guerra, a parada em território brasileiro dependia de autorização da Marinha. O aval foi dado, permitindo também, de acordo com o Diário Oficial, o “desembarque da tripulação e convívio social, observando as normas sanitárias locais vigentes em conformidade com as condições epidemiológicas na ocasião da visita”.
Na época, circulou a informação de que os navios teriam obtido urânio brasileiro durante sua passagem pelo país. O fato voltou à tona este ano, diante dos conflitos entre Israel e Irã. Em junho, o governo brasileiro afirmou que não vende combustível nuclear para uso bélico: "O país é signatário de diversos tratados internacionais nos quais se compromete a não fornecer material nuclear para fins armamentistas". Também afirmou que "é falso que o país tenha vendido urânio para o Irã".



