
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou nesta quarta-feira (6) uma nova etapa de seu plano para pressionar pelo fim da guerra entre Rússia e Ucrânia: a imposição de tarifas adicionais de 25% sobre produtos da Índia.
A medida entra em vigor em três semanas e se soma a outra tarifa de 25% que começa já nesta quinta-feira (7), igualando-se aos 50% já aplicados ao Brasil.
Segundo analistas ouvidos pela coluna, Trump justificou a decisão com base nas relações comerciais entre Nova Délhi e o Kremlin. Atualmente, a Índia é o maior comprador de petróleo russo, responsável por cerca de 36% das importações do combustível em 2024.
Caso as sanções se estendam a outros países que mantêm relações comerciais com a Rússia, o Brasil pode ser afetado, já que importa diesel e fertilizantes da nação comandada por Vladimir Putin. Em entrevista à agência Reuters, o presidente Lula afirmou que pretende discutir uma resposta conjunta dos Brics — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — às medidas dos Estados Unidos.
Os motivos americanos
A ação ocorre dois dias antes do prazo final dado por Trump ao presidente Vladimir Putin, quando o republicano ameaçou impor sanções à Rússia caso não haja acordo de paz. Na ocasião, Trump também alertou sobre tarifas de até 100% a países que continuarem comprando petróleo russo. Além da Índia, China, Turquia e Brasil estão na mira dessas sobretaxas — o que acende um sinal de alerta.
O Brasil é um dos maiores importadores de diesel russo. Em 2024, as compras somaram US$ 5,4 bilhões, um recorde. Só neste ano, mais de 60% do diesel importado pelo país veio da Rússia, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Caso as sanções se estendam a outros produtos, o agronegócio brasileiro também pode ser impactado. De acordo com o Ministério da Agricultura e Pecuária, a Rússia é o principal fornecedor de fertilizantes ao Brasil, respondendo por 30% do total importado.
Diante do impasse para o fim do conflito, que já dura quase três anos e meio, não está descartada a possibilidade de novas tarifas ao Brasil nos próximos dias.
Guerra sem perspectivas de fim
Nesta quarta-feira, o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, reuniu-se com Putin em um encontro descrito por Trump como “altamente produtivo”. Ainda assim, a Casa Branca manteve a ameaça das tarifas. O prazo para um possível cessar-fogo expira na sexta-feira (8), mas não há sinais de avanço nas negociações.
As conversas de junho, em Istambul, fracassaram diante das exigências russas: reconhecimento da anexação da Crimeia e de partes do leste da Ucrânia, além da retirada das tropas ucranianas dessas regiões — condições rejeitadas por Kiev e seus aliados ocidentais. Fontes próximas ao Kremlin indicam que Putin não cederá às pressões e mantém o objetivo de consolidar o controle sobre os territórios ocupados.




