
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
A revista britânica The Economist, considerada a bíblia do liberalismo, destacou como capa desta semana o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Abordando temas que vão da democracia à tentativa de golpe, a publicação traz como título: "O que o Brasil pode ensinar à América".
Logo de início, chama a atenção a ilustração da capa, que mostra Bolsonaro com o rosto pintado de verde-amarelo, usando um "chapéu de viking" — similar ao utilizado por Jacob Anthony Chansley, um dos apoiadores do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que invadiu o Capitólio em 2021. Chansley foi condenado a 41 meses de prisão, mas perdoado pelo republicano.
No início da reportagem, a revista destaca que Bolsonaro "perdeu sua tentativa de reeleição e se recusou a aceitar o resultado", chamou a votação de fraudulenta e usou as redes sociais para incitar seus apoiadores a se rebelarem.
Referindo-se a Bolsonaro como "Trump dos trópicos", a publicação o descreve como um ex-general de quatro estrelas que conspirou para anular o resultado das eleições. Segundo a revista, em seu governo "assassinos planejaram matar o verdadeiro vencedor" (em referência a Lula), embora destaque que "o golpe acabou fracassando por incompetência".
The Economist também afirma que o ex-presidente e seus aliados "provavelmente serão considerados culpados" no julgamento que se inicia na próxima terça-feira (2).
Fortalecimento da democracia
A revista inda traça um paralelo entre Brasil e Estados Unidos e afirma que os dois países "estão trocando de papel": "Em contraste, mesmo com o governo Trump pressionando o Brasil por processar Bolsonaro, o país está determinado a salvaguardar e fortalecer sua democracia."
De acordo com a revista, a maioria dos brasileiros "não tem dúvidas sobre o que Bolsonaro fez" e que "A maioria acredita que ele tentou dar um golpe para se manter no poder."
E finaliza afirmando que: "A maioria dos políticos brasileiros, de esquerda e direita, quer deixar para trás a loucura de Bolsonaro e sua polarização radical."




