
Um dos principais gargalos da segurança pública no Rio Grande do Sul, os feminicídios são um tipo de crime difícil de ser combatido por ocorrer, em sua maioria, em ambientes privados e envolver pessoas próximas e com fácil acesso às vítimas — em geral o companheiro ou o ex.
Se houver bom senso, como já demonstrado na união entre direita e esquerda que levou à articulação da proposta, a Assembleia Legislativa aprovará, nesta terça-feira (26), a (re) criação da Secretaria da Mulher. A pasta foi extinta há 10 anos, na reforma administrativa empreendida pelo governo José Ivo Sartori.
Houve um movimento importante da deputada Bruna Rodrigues (PCdoB) diante dos dados estarrecedores de agressões a mulheres no Estado. Só no feriado da Páscoa, em abril, 10 foram mortas em quatro dias. Na noite de domingo (24), uma mulher de 29 anos foi agredida na testa com uma faca em Caxias do Sul.
O governador Eduardo Leite aceitou a recomendação assinada pelos deputados e encaminhou um projeto para criação da secretaria. Se a lei for aprovada e sancionada, como se espera, o Piratini deve encaminhar à Assembleia, ainda no segundo semestre, uma proposta de orçamento para 2026 que inclua os custos da pasta, que já será criada este ano com 28 cargos em comissão.
Obviamente, essa é uma iniciativa fundamental. Mas, sozinha, uma só estrutura não será suficiente para enfrentar o desafio. São necessários recursos, estrutura e, principalmente, políticas públicas de acolhimento às vítimas e enfrentamento a esse crime bárbaro, que remete ao pior do ser humano.





