
A iniciativa que envolve pesquisadores da Holanda, por meio da Universidade de Delft, para um plano urbanístico e socioambiental na Região das Ilhas, em Porto Alegre, já concluiu o diagnóstico da situação da área — uma das mais atingidas pela enchente de 2024. Para fazer esse raio-X, o projeto Arquipélago (nome do bairro onde estão localizadas as ilhas da Pintada, das Flores, do Pavão, Grande dos Marinheiros e Mauá) ouviu a comunidade a fim de compreender a situação do território do ponto de vista ambiental, de ocupação e de infraestrutura.
— Foi um produto muito bem desenvolvido, em conexão muito próxima com a comunidade local — disse à coluna a coordenadora do projeto, Taneha Bacchin, pesquisadora da Universidade de Delft, que esteve na Capital neste mês.
O grupo desenvolveu um manifesto destacando o direito à permanência da população que vive nas ilhas. Como a região é altamente suscetível a inundações e compreende uma Área de Proteção Permanente (o Parque Estadual do Delta do Jacuí), a ocupação humana precisa conviver com as condições de risco.
— Por isso, o Produto 3 que entregaremos é fundamental, pois trará o mapeamento dos diferentes graus de risco das ilhas — explicou Taneha.
Em áreas de maior perigo, será sugerido o reassentamento da população, mas, conforme a professora, o foco principal do projeto está na permanência dos moradores.
— São fundamentais a proteção e a regeneração ambiental das ilhas, assim como o direito da comunidade de permanecer naquele território.
A área é uma das mais complexas de Porto Alegre, devido à desigualdade social e à ausência de um sistema de proteção contra cheias. Habitam ali diferentes comunidades, com relação histórica com as ilhas: pescadores, população de origem africana, catadores, convivendo com residências de finais de semana e estabelecimentos como marinas náuticas.
— É fundamental não aumentarmos a ocupação. No Parque Estadual do Delta do Jacuí, historicamente, ocorreu uma ocupação não planejada. Por isso, o projeto desenvolve estratégias e formas possíveis de ocupação futura das ilhas, com base em planejamento e ordenamento territorial.
O projeto foi articulado entre a prefeitura e a Universidade de Delft, por meio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com custo de R$ 7,2 milhões. A previsão é de que seja concluído em agosto de 2026.

