
No final de semana, a Folha de S. Paulo publicou uma reportagem segundo a qual Faria Lima começa a medir "risco PCC" em investimentos. O jornal entrevistou empresários, gestores de fundos, economistas e líderes de entidades e ouviu a mesma preocupação: as facções estão encontrando brechas na economia formal, ameaçando não apenas os ganhos de grandes empresas que atuam na legalidade, mas também a segurança do ambiente de negócios.
Por aqui, no Rio Grande do Sul, cada vez mais temos outra ameaça, tão prejudicial aos negócios quanto a do crime organizado: o risco ambiental.
Não à toa o almoço que o governo do Estado promoveu para o lançamento do escritório da Invest-RS em São Paulo atraiu o interesse de tantos escritórios de advocacia responsáveis por orientar empresários sobre locais para eventuais investimentos. Vários advogados circularam pelo evento interessados em saber como está, literalmente, o clima no RS.
Preocupa quando empresários precisam erguer máquinas e produtos a cada chuva mais forte. Quem colocaria dinheiro em uma área condenada?
No Brasil, até pouco tempo atrás poupado de tragédias climáticas, análises de risco, em geral, consistiam em processos de avaliação de ameaças ao ambiente associados a uma determinada atividade — e não na previsão de cataclismas inviabilizarem o negócio. Essa lógica não, necessariamente, precisa se inverter.
Afinal, se chegamos a tal nível de ameaça climática, isso se deve à ação humana — e não o contrário. Mas, cada vez mais, o risco de eventos extremos serão colocados na conta antes de um investimento.


