
Em seu afã de transformar política externa em favorecimento dos amigos, o presidente dos EUA, Donald Trump, acelerou o cerco a Jair Bolsonaro. O julgamento do ex-presidente brasileiro provavelmente terminará em setembro, com a sentença expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), mas as declarações de Trump obrigaram a Justiça a tomar medidas extras para evitar a possível fuga de Bolsonaro ou seu refúgio em alguma embaixada em Brasília — americana, argentina ou húngara, nesta ordem.
A articulação iniciada por Eduardo Bolsonaro nos EUA, no intuito de eximir o pai do jugo da lei, acabou por potencializar sua derrocada. Nos últimos dias, Trump elevou o tom — primeiro, era a ameaça de imposição de tarifas em 50% ao Brasil, o único país no mundo cuja metralhadora-giratória do americano atingirá uma nação cuja relação comercial é superavitária.
Depois, sua ordem foi determinante para que o Escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (em inglês, USTR) iniciasse uma investigação tão esdrúxula que colocou no mesmo balaio plataformas digitais, suposta preocupação com o desmatamento na Amazônia, etanol e Pix. Por fim, uma carta assinada pessoalmente por Trump exigindo anistia de Bolsonaro feriu ainda mais a soberania nacional e tratou o Brasil como uma república bananeira.
O compadrio de Trump fez a PF desconfiar de que Bolsonaro estava próximo de iniciar uma operação definitiva para escapar. Agora, caso Bolsonaro se aproxime do Setor de Embaixadas Sul ou Norte, em Brasília, o sinal da tornozeleira eletrônica vai disparar e ele será preso. O cerco não apenas se fechou em torno de Bolsonaro como Trump se encarregou de apressá-lo.



