
São conhecidas as rusgas entre os presidentes Lula e Javier Milei. Na época da eleição argentina, em 2023, o ultraliberal acusou o brasileiro de interferir na disputa em favor do adversário kirchnerista Sergio Massa. Eleito, Milei chamou Lula de "corrupto", "comunista" e "dinossauro idiota". O brasileiro exigiu desculpas, e não foi na posse.
De lá para cá, os encontros foram protocolares — o principal deles no G20, no Rio de Janeiro. Inicia nesta quarta-feira (2) em Buenos Aires o encontro do Mercosul e na quinta-feira (3), quando devem se encontrar, os dois não terão muita alternativa para desviar o olhar. Terão de se aturar por alguns instantes, principalmente porque haverá uma troca de bastão. O Brasil assume da mão dos argentinos a presidência pro tempore do Mercosul.
Ninguém espera troca de gentileza entre Lula e Milei. Mas, além de respeito, seria importante que, no mínimo, os líderes das duas principais nações da América do Sul, colocassem os interesses do bloco acima de vaidades pessoais e ideologias. Afinal, na pauta há temas fundamentais: além do acordo Mercosul-União Europeia, cuja expectativa, apesar dos pesares, é de ratificação, pelos parlamentos europeus, até dezembro, existe a expectativa de cooperação na área da segurança.
Atenção para a busca por uma voz uníssona para ser levada à COP30, em Belém, em torno do combate às mudanças climáticas. Durante a cúpula, há expectativa por um programa Mercosul Verde, com foco na promoção da agricultura de baixo carbono e na expansão das exportações agrícolas sustentáveis. Durante a COP29, Milei retirou sua delegação de Baku. Em casa, estará mais à vontade para ser voz dissonante.



