Criado para ser o principal braço da Polícia Civil no combate aos crimes virtuais, o recém-lançado Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (Dercc) — sediado em prédio na Avenida 24 de Outubro, em Porto Alegre — estaria apresentando um problema diretamente ligado ao objeto das investigações: a internet.
Conforme afirmação da Associação dos Delegados de Polícia do RS (Asdep-RS), o serviço fornecido pelo governo do Estado não daria conta da demanda por agilidade e fluxo, o que estaria prejudicando o trabalho dos investigadores. A solução teria sido pedir internet emprestada de operadoras de serviço de internet para a manutenção do trabalho.
O presidente da Asdep-RS, Guilherme Wondracek, ressalta que a prática seria antiga em outros departamentos, o que chama atenção, agora, é que está sendo, segundo ele, utilizada por uma área cuja ferramenta fundamental de trabalho (e objeto de investigação): a rede.
Questionado pela coluna, o delegado Eibert Moreira Neto, diretor do Dercc, afirmou que o departamento utiliza a internet fornecida pela polícia.
— As nossas conexões são feitas em ambiente seguro através da rede lógica monitorada pela Procergs. Seria uma irresponsabilidade utilizar internet de vizinhos, vulnerabilizando os acessos aos sistemas restritos da polícia. Me causa estranheza essa denúncia elaborada pela ASDEP, uma vez que a Asdep é o órgão de classe dos Delegados de Polícia e, nunca, nenhum delegado apresentou alguma queixa formal ou informalmente para mim com relação a nossa conexão de internet.
O delegado acrescenta:
— A Asdep, sendo órgão de classe dos delegados de polícia, me causa estranheza eu não ter isso consultado sobre isso, uma vez que sou o diretor do departamento e também sócio ativo da Asdep, atualmente, membro do conselho deliberativo. Enfim, utilizamos a rede da Procergs e não temos queixa a apresentar, nem minha e nem dos servidores. A velocidade da conexão nos permite realizar plenamente as nossas investigações.




