
Em menos de 24 horas no Exterior, a deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) conseguiu se contradizer duas vezes.
Primeiro, sobre o motivo da viagem: em entrevista à Rádio AuriVerde, disse que estava com problemas de saúde, mas que seu "tratamento não é médico, não é com medicamento". Precisava "destravar o que sente". Depois, à CNN Brasil afirmou que sofre de uma síndrome rara, chamada Ehlers-Danlos, que causa transtornos de mobilidade.
A segunda contradição foi sobre sua localização: pela manhã, pelo horário de Brasília, disse que se encontrava na Europa, sem informar o país, mas que seguiria para a Itália. À tarde, declarou que estava nos EUA, mas que seguiria para a... Itália.
Não é impossível que se fale da Europa e, pouco depois, dos EUA, uma vez que, hoje, se consegue entrar ao vivo em uma entrevista pelo WhatsApp, por exemplo, de dentro de um avião. Mas é bem difícil em menos de sete horas se cruzar entre um continente e outro.
Faz sentido Zambelli, condenada a 10 anos de prisão, acusada da invasão do sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), querer ocultar seu paradeiro. Não fosse isso por que razão teria saído do Brasil pela fronteira Sul e não pelo caminho mais rápido e lógico, por um aeroporto como Guarulhos ou o Galeão.
No Exterior, a deputada engrossará o coro dos bolsonaristas que deixaram a pátria, ironicamente, traindo o lema "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos". O importante é salvar a própria pele.
Zambelli junta-se a Eduardo Bolsonaro no Hemisfério Norte para, de lá, denunciar a suposta falta de liberdade no Brasil, insinuando que o país seria uma ditadura "comunista". É um mundo de faz-de-conta tão ou mais fantasioso quanto o conto da carochinha de que o sistema eleitoral brasileiro seria facilmente fraudável.
No Exterior, eles arvoraram-se a posição de exilados políticos, em uma corruptela do conceito. Os motivos passam ao largo da realidade. Não há perseguição, não há ditadura. Zambelli responde a um processo legal no Brasil, dentro do Estado democrático de direito. Eduardo sequer foi indiciado por crime algum e, muito menos, condenado. O autoexílio de Zambelli e Eduardo não é político. É ideológico.
Direito de pergunta
O Supremo não foi ingênuo ao devolver o passaporte para Zambelli?





