
O jornalista Vitor Netto colabora com o colunista Rodrigo Lopes, titular deste espaço.
O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) da Bolívia decidiu, nesta terça-feira (20), que o ex-presidente Evo Morales está excluído das próximas eleições presidenciais, marcadas para agosto de 2025. A decisão foi tomada após Morales não conseguir registrar sua candidatura.
Apoiadores do ex-presidente tentaram inscrevê-lo como candidato pelo Partido da Ação Nacional Boliviana (PAN-BOL), mas, conforme explicou Luis Fernando Arteaga, secretário da Câmara dos Deputados do TSE, o partido não tem reconhecimento legal.
O mesmo tribunal já havia cancelado o registro do PAN-BOL no início de maio, uma vez que a sigla não atingiu 3% dos votos na última eleição presidencial, em 2020.
Nas redes sociais, Morales classificou a decisão como um "grave risco para a democracia" e uma "ameaça real de exclusão dos movimentos indígenas, camponeses e populares das eleições". Ele ainda convocou a população para uma "Grande Reunião Nacional" em protesto.
Histórico político
Morales foi líder do Movimento ao Socialismo (MAS) e renunciou à presidência em 2019 após protestos e acusações de fraude eleitoral. Apesar de manter influência no partido, tensões internas cresceram, especialmente com Luis Arce, seu ex-ministro da Economia e atual presidente.
Em dezembro de 2023, o MAS expulsou oficialmente Morales, após ele acusar Arce de "traição" e "abandono dos princípios socialistas".
Atualmente, o ex-presidente reside na região do Chapare, principal zona produtora de coca, a cerca de 600 km de La Paz. Ele está impedido de deixar o local há sete meses devido a uma ordem judicial de prisão em um caso de tráfico de crianças – acusação que ele nega.
Além disso, outra decisão judicial o desqualificou de concorrer nas eleições de 17 de agosto de 2025, consolidando sua exclusão do cenário eleitoral.




